Faltam medicamentos na Farmácia de Alto Custo

 Dois remédios para doenças respiratórias estão em falta na Farmácia de Alto Custo de Piracicaba há quase quatro meses, de acordo com pacientes ouvidos pelo JP. A ausência dos medicamentos Alenia e Seletide — utilizados para tratamentos como o de asma e bronquite — já tinham sido tema de reportagem no matutino há menos de três meses. Dessa vez, além deles, a falta de dois colírios também foi apontada. A Secretaria Estadual de Saúde, responsável pela unidade, admitiu o problema e responsabilizou os fornecedores pelo “desabastecimento temporário”.
 
O porteiro Carlos Roberto Ferreira Giuliano, 72, utiliza o Seletide por conta de um enfisema pulmonar. Porém, nos últimos quatro meses, se viu obrigado a abrir mão do tratamento por não conseguir o remédio na Farmácia de Alto Custo. O preço varia de R$ 100 a R$ 150. 
 
“Não estou conseguindo comprar, não. Custa uns R$ 120, não tenho condições. O problema é que não sou só eu que está sem o remédio. Está faltando remédio para todo mundo. Toda vez é assim, não tem remédio. E não tem previsão para voltar”, afirmou Giuliano. 
 
A última vez que o aposentado Jairo Barduzzi, 83, conseguiu o Alenia foi no dia 18 de janeiro. Desde então, ele tem comprado mensalmente o remédio, mas não sabe até quando conseguirá arcar com o custo.
 
“Agora tenho que comprar, mas pesa no bolso. Só tenho mais três, quatro dias do Alenia, daí acaba. Falaram na farmácia para eu buscar depois do dia 12, mas não sabem se chega”, contou Barduzzi. 
 
Anteontem o aposentado foi até a farmácia, que fica na rua Visconde do Rio Branco, no bairro Alto. Além de não conseguir o Alenia, também descobriu que dois colírios que utiliza estavam em falta: Alphabrin e Xalatan.
 
Em dezembro do ano passado, o DRS (Departamento Regional de Saúde) de Piracicaba informou que os medicamentos estavam em “processo de aquisição” e que “rapidamente” estariam de volta à farmácia. Agora, em nota, a Secretaria Estadual de Saúde admitiu que os remédios estão em falta e responsabilizou os fornecedores. 
 
“A Coordenadoria de Assistência Farmacêutica informa que os medicamentos Alenia e Seretide e o colírio sofreram desabastecimento temporário em razão de atraso na entrega por parte dos fornecedores, que estão sujeitos a multa por descumprimento de prazo. As empresas estão sendo cobradas para que entreguem os produtos o quanto antes para não prejudicar os pacientes. Cabe esclarecer que o SUS (Sistema Único de Saúde) distribui mais de 1.000 tipos de medicamentos em diferentes apresentações no Estado de São Paulo”, traz a nota. 
 
A pasta estadual informou ainda que realiza planejamento periódico dos estoques, com base no consumo dos pacientes e mais uma margem de segurança para garantir que a unidade tenha estoque, “mas, alguns fatores, alheios ao planejamento da pasta, podem ocasionar desabastecimentos temporários”.