Família de adolescente morto pede R$ 1 milhão à Prefeitura

Guarda foi preso após ser acusado de atirar nas costas do jovem. (foto: Amanda Vieira/JP)

A família do adolescente de 16 anos, que teria sido morto com um tiro nas costas por um guarda civil, vai pedir a indenização de mais de R$ 1.003.200 por danos morais e materiais à Prefeitura de Piracicaba. O caso foi registrado como homicídio e está sendo apurado pelos policiais civis da DIG (Delegacia de Investigações Gerais). O guarda está preso, desde o dia 14 de maio e já participou da reconstituição do crime.

O advogado Paulo Vinícius Grechi, que vai atuar como assistente da acusação disse que o tiro que acertou o adolescente foi feito por um guarda em serviço, que tinha a responsabilidade de fiscalizar, puxou o gatilho e quem atuou foi a prefeitura. “Não há dúvida que houve o dolo (intenção), pois o adolescente na noite do ocorrido vinha com amigos da rua do Porto a pé e seguiram pela avenida Raposo Tavares até a Base da Guarda Civil. No trajeto, eles jogavam pedras e uma delas acertou um ponto de ônibus, fez muito barulho. O guarda saiu do posto e passou a encará-los”, disse o defensor.

Grechi afirmou que os jovens correram dois quarteirões. “O guarda tirou o colete e veio atrás, fez três ou quatro disparos. Caindo por terra a versão que tentou apresentar de legítima defesa”, enfatizou o assistente de acusação.

A Prefeitura foi procurada por meio da assessoria de imprensa, mas não retornou o contato realizado.

DEFESA

O advogado Willey Sucasas, que foi constituído pelo guarda, exclusivamente para atuar na esfera criminal e não atuará na questão cível, com relação ao pedido de indenização.

“Meu cliente desde o primeiro momento colaborou com a dinâmica dos fatos, respondeu todas as perguntas, compareceu à reconstituição. Nos episódios ouvidos, ele fez disparo de arma de fogo aleatoriamente em direção dos garotos que estavam vandalizando”, disse Sucasas.

O advogado não antecipou a dinâmica da defesa, mas enfatizou que a decretação da prisão preventiva foi equivocada. “Trata-se de um homem com mais de 50 anos, dos quais 30 foram dedicados à corporação, sem nenhum problema anterior. Tem residência fixa,tem emprego, é arrimo de família”, afirmou Sucasas, que disse ainda que vai tentar reverter a prisão nas esferas superiores, pois considerou que a preventiva é a medida mais drástica. Segundo ele, seu cliente poderia ser afastado das funções e recolhimento domiciliar, por exemplo.

Cristiani Azanha
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