Família de refugiados adota Piracicaba como seu novo lar

São quatro venezuelanos que viajaram de 18 dias para chegar até a cidade. ( Foto: Amanda Vieira/JP)

Piracicaba recebeu, há 14 dias, a primeira família de refugiados venezuelanos vinda de Roraima, na divisa com o país que atravessa uma das maiores crises políticas de sua história. A dona de casa Huber Dominga Torres e os filhos Sandro Soares Diaz, 18, e Sara Sofia Diaz, de 17, levaram quatro dias desde a saída da cidade de Carora até a divisa com a cidade brasileira. Após cruzarem a fronteira, a família encontrou o primogênito Willian Diaz, 29, que há três anos veio para o Brasil para trabalhar e conseguir trazer a família. “Quando passamos entre as bandeiras da Venezuela e do Brasil e cruzamos a fronteira, foi como entrar no paraíso”, contou a mãe emocionada. Da chegada ao Brasil por Roraima, até a cidade de Piracicaba foram 18 dias. Apesar da hospitalidade e carinho encontrada em terras brasileiras, Huber admite que sente saudades dos irmãos e da casa que deixou na Venezuela.

Os quatro venezuelanos instalados em Piracicaba fazem parte de um grupo de outros 2.000 refugiados que entraram no país pelo programa criado pela igreja Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias idealizado pelo empresário Carlos Wizard Martins. Dos 2.000 mil refugiados, 500 foram acolhidos por membros da igreja distribuídos em sete estados. Segundo o presidente da Estaca (termo que se refere à igreja) em Piracicaba, Fernando Mendes, destes 500 acolhidos, 50% conseguiram uma colocação profissional.

Conseguir um emprego é o principal objetivo dos irmãos Diaz. Os venezuelanos estão morando em uma casa alugada no bairro Ibirapuera. Segundo Mendes, o imóvel foi disponibilizado por Conceição Ferreira Pereira, membro da igreja. “Fiquei muito feliz quando eles chegaram, estava ansiosa e preocupada com eles”, contou a proprietária da casa.

FOME — A ditadura imposta pelo governo de Nicolás Maduro tem imposto dor e sofrimento aos venezuelanos. Huber contou que havia dias em que ela e os filhos não tinham o que comer e precisavam recorrer à igreja. “O salário mínimo é de 1.800 soberanos (moeda venezuelana) e uma cartela com 30 ovos custa 1 mil soberanos”, afirmou. A ajuda do governo chega a cada seis meses e consiste em uma cesta básica com poucos itens destinada à subsistência de uma pessoa. O auxílio, no entanto, é vendido por 500 soberanos e os alimentos duram uma semana.
Durante os três anos que trabalhou no Brasil e ficou longe da família, Willian chegou a morar em Salvador onde trabalhou como pedreiro. “Ele procura emprego e se diz disposto a trabalhar em qualquer função. “Eu faço de tudo e também falo bem o português”, contou orgulhoso. “Piracicaba é uma cidade maravilhosa, o povo é muito acolhedor, muito parecido com nós venezuelanos”, afirmou Willian.

Hoje, Piracicaba recebe mais uma família de refugiados. “Fomos avisados pelo Wizard que precisávamos arrumar uma casa para outra família de quatro pessoas, estamos correndo atrás, mas vamos conseguir”, garantiu Mendes.

( Beto Silva)