Famílias acolhem crianças e adolescentes em situação de risco

Pelo período máximo de 18 meses, casais recebem jovens em situação de vulnerabilidade por entidades de Piracicaba. (foto: Amanda Vieira/foto)

“A criança é o ser precioso do mundo, é um presente.” disse Vanessa (nome fictício), uma das voluntárias da Família acolhedora, um dos projetos desenvolvidos pelo Smads (Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social) para cuidar de crianças e adolescentes que tem seus direitos violados.

Desde a promulgação do ECA (Estatuto da Criança do Adolescente) há 29 anos, os direitos e deveres passaram a ser exigidos com mais rigor. Principalmente quando o assunto são os assistidos pelas entidades. Em Piracicaba, esse tipo de atendimento é realizado em parceria com organizações civis da cidade, como o Lar Franciscano (com capacidade de 20 vagas) e a Casa do Bom Menino (100), que atende crianças e adolescentes de zero a 18 anos. A Smads também participa atualmente de dois projetos, além do acolhimento institucional: a Casa Lar e o acolhimento em família.
“A Família Acolhedora é uma forma de praticar o amor ao próximo. Escutamos na igreja e de conhecidos que devemos fazer o bem, e esse projeto é uma excelente forma de praticar.” afirma Otávio (nome fictício), marido de Vanessa.

Segundo a Smads a atividade é realizada por voluntários, em sua maioria casais, e tem como objetivo proporcionar um abrigo familiar a crianças e adolescentes que necessitem ser afastados de sua família de origem.

“Já ficamos com crianças que nasceram com um quilo ou que chegavam chorando por conta do estresse de trocar de lares seguidas vezes. A própria instituição cuida muito bem, mas é impossível dar a atenção individual que precisam”, afirmou Vanessa. O casal já está em seu sétimo acolhimento. As famílias ficam com as crianças e adolescentes pelo período de no máximo 18 meses.

Momentos são guardados ao coração
família de Walter (nome fictício) acolheu uma adolescente, que teve um bom convívio com suas duas filhas, que tinham a mesma faixa etária.
Além das próprias famílias voluntariadas, a comunidade piracicabana também auxilia na maioria das vezes.

“Quando os vizinhos ficam sabendo da história, eles apoiam e trazem os filhos para brincar ou convidam para festas infantis e nos levam até ao posto de saúde, se precisarmos.” complementa Walter. “O problema é quando nossos conhecidos falam para ficarmos com a criança para sempre, mas nós não podemos ficar, pois, muitas são adotadas por famílias fixas ou ficam sob a tutela de parentes de seus familiares de origem”, disse Walter.

As duas famílias de voluntários entrevistadas pelo Jornal de Piracicaba concordam que é normal terem o sentimento de apego pelo assistido, mas ambas têm consciência que passarão por momentos passageiros, mas guardam as lembranças com muito carinho.

“Além disso uma nova criança sempre chega com novos desafios e necessidades para cuidarmos, mas mantemos contanto com a maioria das famílias e é uma satisfação ver como elas crescem.” finaliza Vanessa.


Larissa Anunciato
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