Famílias recebem moradia popular da Emdhap

apartamentos Sorteio das unidades habitacionais aconteceu ontem. ( Foto: Claudinho Coradini / JP)

“Tive um barraco uma vez, mas casa com escritura, não”, contou à reportagem do Jornal de Piracicaba uma senhora de 78 anos, sentada no segundo degrau do ginásio Waldemar Blatkauskas. Quando ouviu o cerimonialista anunciar “Maria José de Oliveira Santos” e informar o bloco e o número do apartamento, levantou eufórica. Estava, enfim, realizado o sonho daquela senhora que diz ter trabalhado duro desde os sete anos de ter sua casa própria. “É a maior alegria da minha vida”, afirmou a pensionista que vive com um salário mínimo e atualmente paga aluguel. Maria José foi uma entre os membros de 1.200 famílias contempladas com um apartamento no Residencial Vida Nova, cuja numeração e o bloco foram definidos ontem. Do ginásio anexo ao estádio Barão de Serra Negra, aproximadamente 4 mil pessoas de famílias com renda familiar de até R$ 1,8 mil, vivem em condições precárias, moram de favor ou pagam aluguel saíram com a certeza de que passarão o Natal, pela primeira vez, num endereço que podem chamar de seus.

Os apartamentos do Vida Nova têm 45 metros quadrados e foram construídos pelo programa Minha Casa, Minha Vida do governo federal, em parceria com a Prefeitura de Piracicaba. O prefeito Barjas Negri (PSDB) participou da solenidade e ressaltou o empenho da administração para retomar a obra que estava parada. “O dia de hoje coroa o trabalho que fizemos durante um ano e meio. A obra estava paralisada. Houve articulação junto a Caixa para liberar os recursos e relicitar a obra. Tenho certeza absoluta de que para maioria dessas pessoas será a primeira vez que irão poder passar o Natal sem pagar aluguel. Portanto, é uma emoção muito grande e resultado de trabalho coletivo”, disse.

O presidente da Emdhap (Empresa Municipal de Desenvolvimento Habitacional), João Manoel dos Santos, disse que o evento representou etapa importante na materialização do sonho de milhares de pessoas que não teriam condições de alcançar seu imóvel próprio, não fosse o programa social. “A maior parcela será de R$ 300 por mês, durante 120 meses (R$ 36 mil aproximadamente, pagos em 10 anos). É menos de um terço do valor de mercado. Seria praticamente impossível esse pessoal conseguir um apartamento não fosse por um programa como esse. Para nós, da Emdhap, é gratificante e mostra que, quando unimos as forças,as coisas acontecem”, afirmou.

Silas Claudino perdeu totalmente a visão aos 24 anos devido a complicações de um diabete e vive da aposentadoria de R$ 1,2 mil. “Se não fosse o programa dificilmente iria conseguir minha casa”, disse ele que mora “de favor” com a irmã e não vê a hora de ir morar sozinho, no apartamento em que pretende fazer sua própria comida e preparar o seu café. Há dois anos, o diabetes também o levou a amputar parte de um dos pés. Conseguiu um apartamento no térreo e pretende adaptá-lo para ter vida independente.

(Rodrigo Guadagnim )