Febre Amarela

A manchete que o Jornal de Piracicaba traz na edição de hoje demonstra como a população está apavorada e sem saber como lidar com a febre amarela. Somente na cidade, o número vacinas cresceu 245%, segundo a Secretaria Municipal de Saúde. Até o dia 22, eram seis mil pessoas vacinadas, sendo 4.265 nos últimos sete dias e outros 1.735 na primeira quinzena do mês.

A corrida pela vacina ficou mais intensa depois que a OMS (Organização Mundial da Saúde) considerou todo o Estado de São Paulo como área de risco da febre amarela. Segundo o secretariado da entidade, a decisão foi tomada “considerando o aumento da atividade do vírus” observado na região.

Na cidade de São Paulo, a corrida aos postos de saúde tem sido tão grande que já são registradas brigas de moradores, pessoas tentando entrar a qualquer custo nas unidades e um empurra-empurra geral. Há cidades em que macacos foram encontrados mortos, provavelmente por aqueles que, agindo de forma desinformada, acreditam que a eliminação do animal irá frear o contágio.

Ocorre que a doença — que tem uma vacina eficiente desde a década de 30 — era tratada por especialistas como controlada até pouco tempo atrás ou restrita a regiões endêmicas em parte do continente africano e da América do Sul. No Brasil, poucos eram os relatos de morte pela doença.

O surgimento de epidemias recentes e o alerta da OMS traz de volta a febre amarela ao debate sobre saúde pública no país e, para os mais leigos, o medo de que ela se torne novamente uma doença urbana.

Embora a hipótese possa parecer um tanto distante e muitos especialistas aleguem que não há o que temer, há uma outra corrente sinalizando que sim. Recentemente, o jornalOEstado de S.Paulo trouxe o relato de uma bióloga, de que o surto pode terrelação comtragédia deMariana Lama no Rio Doce. Virologistas e epidemiologistas também já alertam sobre a transmissão pelo Aedes aegypti, levando em conta o histórico da epidemia da dengue.

Ainda que os órgãos públicos tentem passar um posicionamento de normalidade, é difícil que a população consiga discernir, pois quase sempre o que sobra é a omissão.

Por ora, não nos falta saber científico, mas falta informação e, aoque tudo indica, vontade política para enfrentar a situação.