Felicidade e paz mundial

Você já parou para pensar que o seu estado de espírito é muito importante para a paz mundial? Essa perspectiva vem abrindo uma frente de estudos transdisciplinares nas principais universidades do planeta. Nos tempos atuais faz-se necessário construir uma cultura de paz, de inclusão, de justiça, de respeito à Vida em todas as suas manifestações, a fim de superar os desafios socioambientais que vieram como efeitos colaterais do desenvolvimento sem planejamento, carente de distribuição de riquezas e que nos trouxeram os problemas que hoje todos nós herdamos.

O ar que respiramos, a água que bebemos, o alimento que comemos, precisam estar puros e livres de substâncias tóxicas para serem os nutrientes corretos para nossa saúde, o que nem sempre é possível obter dependendo de onde vivemos e de nossas condições econômicas.

Há poluição no ar, nas águas, no alimento, e ela começa a partir de nossas atividades produtivas e dos sistemas de organização social e suas consequentes gerações de resíduos indesejáveis. Há grande esforço em áreas de ponta para corrigir nossos erros históricos e buscar novos rumos, e a transformação precisa ser mais rápida do que pensamos. Nesta fase de transição para uma cultura que priorize o florescer da vida em sua plenitude e se reflita em sociedades verdadeiramente sustentáveis, é preciso focar ao mesmo tempo no máximo de frentes possíveis de atuação, produção e educação para construção de um mundo novo.

Talvez pela ilusão de conexão e felicidade da “vida virtual”, muitos ainda não se deram conta da seriedade da situação, da desconexão com a Natureza, da sua exploração e esgotamento dos recursos causando escassez e injustiça. Tais questões socioambientais proliferam não somente em regiões remotas, mas cada vez mais perto de nós. Por outro lado, o vicejar das produções conscientes de bens de consumo e alimentos em pequena escala, como as agroecológicas, sistemas agroflorestais, familiares, orgânicas, que reintegrem o direito à terra e à dignidade da vida como lembrou o Papa Francisco, são atividades que favorecem o cuidado do ser humano com o meio natural, recuperando nascentes, produzindo alimentos de qualidade, revigorando a biodiversidade e favorecendo a felicidade a quem produz e consome.

Os países com melhores índices de desenvolvimento humano, educação e qualidade de vida são os que mais investem nesta direção. Depois de atingirem excelência no âmbito material, e se darem conta que bem-estar e qualidade de vida vão além dos ganhos materiais, esses países buscam a reconexão com a Natureza e a felicidade autêntica.

Esta é descrita academicamente como tendo cinco componentes centrais: predisposição ao cultivo de pensamentos e atitudes positivas, relacionamentos profundos e duradouros, engajamento em atividades com significado, propósito de vida e capacidade de concretizar em ações o sentido existencial. Este nível de felicidade floresce sobre o terreno das necessidades mínimas materiais satisfeitas para o conforto básico, mas os fatores intrínsecos à pessoa também são muito importantes, e dependerá do quanto ela buscará em seu interior sua própria felicidade.

Por isso nós precisamos parar, respirar, reconectar com o melhor de nós mesmos e assim contribuir para a construção de um mundo de paz.