Feminicídio: o ato extremo da violência contra a mulher

Em pleno século 21, ainda nos deparamos com altas escalas de violência contra a mulher e em várias modalidades como a psicológica, física, sexual e nos casos mais extremos, a morte. A desigualdade, opressão, discriminação, dentre outros abusos, estão relacionados a sequelas em vários âmbitos e o feminicídio não é algo isolado, nem ocorre em cenários específicos, ele está em toda parte da sociedade e é a ação extrema de opressão violenta contra a mulher.
 
Ainda vivemos em uma sociedade que se faz necessário orientar, identificar, esclarecer, compreender e demonstrar os tipos de violência em que as mulheres são submetidas, no sentido de conscientizá-las, pois ocorrem muitas vezes de forma velada, com piadinhas e brincadeiras, vistas pela população como algo naturalizado. Não precisamos considerar apenas em casos extremos, pois qualquer tipo de violência começa com imposições, restrições, desconsiderações e simplificações da outra parte e de sua singularidade quando inseridos em um relacionamento. 
 
Estamos falando que precisamos de uma conscientização para conter de alguma forma essa disseminação da cultura de aniquilamento do feminino iniciada nas relações onde os principais agressores/assassinos de mulheres estão dentro de casa, ou ex-parceiros, familiares e outras pessoas do círculo de relações, geralmente íntimos da vítima. 
 
E quando se trata de denunciar vínculos muito próximos, depara-se com a culpa da vítima, dificuldades de ações preventivas legais de proteção, amigos e pessoas próximas sem preparo adequado para orientar ou acolher e toda uma rede de serviços insuficiente ou despreparada. Com o objetivo de uma reflexão sobre a desvalorização da mulher, que insiste em estar presente na nossa cultura, precisamos entender o que é ser homem e o que é ser mulher nessa sociedade em que vivemos e repensar a maneira que nossas crianças estão sendo educadas dentro desse contexto, que vão muito além da educação escolar, se deparando com a objetivação do feminino dentro de nossos lares, no meio social e cultural, que historicamente deixaram marcas dessa violência contra as mulheres.
 
Não é fácil para a vítima romper os laços com o agressor. Os motivos são amplos e geralmente vão desde a preocupação com a criação dos filhos, se estendendo para a dependência, criada dentro de um ambiente de constantes ameaças. A mulher ainda neste contexto social machista é construída para ser submissa, ela obedece, já por conceito, por cultura, sua formação, depois associada ao dia a dia. 
 
Mulheres sem qualificação pela vida, qualificação profissional, como vai disputar por espaço no mercado de trabalho e como irá sobreviver economicamente, que qualidade de vida proporcionará para seus filhos, e isso faz com que se submetam a tratamentos não condizentes com a condição humana, muito menos de esposa, namorada, filhos ou de qualquer outro vínculo afetivo e enraizadas nesse contexto não conseguem se desvincular da violência. É preciso agir. É preciso mudar