FGV: grupo Transportes desacelera e contribui mais para alívio do IPC-M em março

Os preços no varejo contribuíram para limitar um pouco a aceleração do atacado no Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) entre fevereiro e março (0,07% para 0,64%), afirma a Fundação Getulio Vargas (FGV). O Índice de Preços ao Consumidor (IPC-M) arrefeceu de 0,28% para 0,14% no período, com a principal contribuição do grupo Transportes (1,16% para 0,40%). Dentro do segmento, a FGV destacou a influência do item gasolina, cuja taxa passou de 2,10% para 0,18%.

Outras cinco classes de despesas desaceleraram em março ante fevereiro. Sem mais pressão dos reajustes de cursos formais (2,05% para 0,00%), Educação, Leitura e Recreação saiu de alta de 1,01% para queda de 0,29%. Já o grupo Alimentação (0,07% para -0,08%) foi beneficiado principalmente por carnes bovinas (-1,24% para -2,26%).

Em Saúde e Cuidados Pessoais (0,51% para 0,36%), a principal influência veio de medicamentos em geral (0,24% para 0,00%), enquanto em Comunicação (-0,05% para -0,17%) a contribuição partiu de tarifa de telefone móvel (0,24% para -0,57%). Por fim, os gastos no cartório (1,18% para 0,13%) possibilitaram o alívio em Despesas Diversas (0,20% para 0,12%).

Em contrapartida, duas classes de despesas tiveram acréscimo nas taxas de variação: Habitação (-0,21% para 0,19%), com influência de energia elétrica (-1,74% para 0,83%); e Vestuário (-0,56% para 0,53%), em função do aumento de roupas (-0,46% para 0,79%).

Os itens que mais influenciaram o IPC-M de março em baixa, segundo a FGV, foram, além de tarifa de telefone móvel, passagem aérea (-2,19% para -9,17%), frango em pedaços (-1,69% para -2,60%), carne moída (-0,61% para -2,15%) e contrafilé (-2,48% para -3,62%).

Já entre as maiores contribuições para cima, além de energia elétrica, plano e seguro de saúde (que manteve a taxa de 0,95%), ficaram tarifa de ônibus urbano (mesmo com a desaceleração de 1,25% para 1,00%), refeições em bares e restaurantes (apesar da taxa menor, de 0,35% para 0,26%) e mamão papaia (3,69% para 12,94%).

Construção

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) acelerou a alta de 0,14% em fevereiro para 0,23% em março, conforme divulgado na última segunda-feira (26). O avanço teve a influência do grupo Materiais, Equipamentos e Serviços, que subiu de 0,32% para 0,50%, enquanto o grupo relativo à mão de obra ficou estável.

IPAs

O avanço de 0,07% para 0,64% do IGP-M entre fevereiro e março foi influenciado pela forte aceleração dos preços agropecuários, medidos pelo IPA Agropecuário, que variou de -0,71% para 3,28%.

Em contrapartida, os itens industriais, mensurados pelo IPA Industrial, reduziram o ritmo de alta em março ante fevereiro (0,21% para 0,12%). Dessa maneira, o Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-M) subiu 0,89% depois de queda de 0,02%. Em 12 meses, contudo, o IPA-M ainda tem acumulado negativo de 1,22%.

Entre as etapas de produção, as Matérias-Primas Brutas saíram da deflação de 0,23% em fevereiro para a elevação de 1,54% em março, com contribuição de soja em grão (-0,11% para 5,78%), milho em grão (0,15% para 11,41%) e leite in natura (-2,47% para 5,98%).

A parte agropecuária também influenciou o avanço dos Bens Finais no período (-0,71% para 0,57%), com destaque para alimentos in natura, cuja taxa de variação passou de -2,24% para 9,86%.

Os Bens Intermediários, contudo, tiveram alívio entre fevereiro e março, de 0,87% para 0,69%, com o arrefecimento observado no subgrupo combustíveis e lubrificantes para a produção (-0,61% para -2,58%).

Principais influências

De acordo com a FGV, entre as maiores influências de alta no IPA de março estão farelo de soja (5,44% para 11,80%) e ovos (0,00% para 15,71%), além de soja e milho em grão e leite in natura.

Já entre as maiores influências de baixa nos preços do atacado em março estão minério de ferro (0,38% para -1,88%), óleo diesel (-2,51% para -3,13%), aves (-4,94% para -5,12%), óleos combustíveis (4,32% para -5,49%) e carne de aves (-1,15% para -3,66%).