Filhos transformados em imperadores

Todos os dias os índices aumentam, em idades cada vez menores, de crianças e adolescentes que abusam dos seus pais sem nenhuma percepção ou consciência sobre suas condutas. É muito comum as crianças pensarem e tentarem apresentar condutas como se fossem o ‘centro do mundo’, querendo tudo para si. Tentam desobedecer, convencer os pais a dizer sempre ‘sim’ para beneficiá-las. Quem nunca assistiu a cena de alguma criança no supermercado, parques infantis ou casa de amigos tirando o brinquedo de outra criança e enfrentando os pais quando são contrariados.

Mediante a tal circunstância, o comum seria os pais explicarem aos filhos que não devem proceder com esta conduta inadequada, porém alguns pais apresentam condutas passíveis, sorriem com complacência e não fazem absolutamente nada para corrigir as condutas dos filhos. E por conta disso, a cada dia nos deparamos com pais que demonstram incapacidade de contrariar os filhos, deixando–os fazer absolutamente tudo o que querem, do jeito que querem, sem limites nem regras, muito menos reflexão crítica de cidadania. Esses pais, criam filhos que imperam, mandam em seus genitores de forma intransigente, construindo suas próprias regras e normas, e que gritam bem alto quando algo está em desacordo com o esperado.

É comum a criança apresentar ‘desejos’ de mandar e controlar, na tentativa em manter–se no trono que garanta seu reinado desde que nascem. Porém, os pais no processo de educação devem promover frustrações, pois isso garantirá valores e condutas adequadas que beneficiará os filhos no decorrer de seu desenvolvimento e vida adulta, ‘destronando-os’ para assim serem inseridos em uma vida escolar, social, profissional. E para isso é comum em muitos momentos confrontar os filhos, não para que obedeçam sempre os pais sem críticas, mas porque precisam ser guiados e orientados, para formarem–se adultos responsáveis e darem conta de viver em sociedade.

Pais que apresentam medo dos filhos e não conseguem vê-los frustrados, correm o risco de criar imperadores, monstros infelizes, que crescem perdidos em seu egocentrismo e que não conseguem lidar com subordinação. Esses indivíduos têm tendências a construírem relações turbulentas com os demais, porque não lhe ensinaram sobre como é importante respeitar as outras pessoas.

O reflexo disso não esta somente dentro de casa, mas em todo mundo externo, meio social onde as crianças e adolescentes estão inseridos como, na escola, relação com outras crianças, professores e sociedade em geral. É notório no sistema educacional o aumento das queixas de professores em relação a indisciplina e a falta de limites das crianças e adolescentes, reflexo na maioria das vezes de uma educação refém das determinações dos filhos e negligência dos pais.

Nos casos mais graves temos a síndrome do imperador, onde essas crianças e adolescentes promovem maus tratos à própria família, podendo ter sua causa pautada na pouca dedicação dos pais, que devido a trabalharem muito e sentirem–se ausentes, reduzem o sentimento de culpa pelo tempo que não passarem com os filhos, lhe concedendo todos os desejos, passando a mensagem que suprirão todas às suas exigências compensando a solidão afetiva.

Educar é um gesto de amor e ensinar limites ajudam os filhos a aprendizagem de conter-se e proteger-se, além de partilhar e respeitar os demais, tornando–se indivíduos mais seguros, capazes de construírem relações saudáveis para sua vida. Desta forma, o processo de educar os filhos não se configura em uma simples tarefa. Com certeza não é fácil para os pais contrariarem os filhos, frustrando-os, porém é necessário para que as crianças e adolescentes sintam-se conduzidas por adultos seguros que não têm medo de ajudá-los em busca das melhores escolhas para tornarem-se indivíduos de sucesso.