Final de ano, urg!

Final de ano chegou e as coleções de Verão também, além daquela vontade louca de se dar presentes ou presentear. Todo final de ano é igual, com pequenas alterações de inflação e disponibilidade financeira, os meses de novembro de dezembro, algumas vezes parte de janeiro, são um verdadeiro inferno astral feminino. Diria mais, que são TPMs acumuladas: a nossa, a da família, dos outros e das vendedoras. Sim, as vendedoras são sujeitas à TPMs fortes e desgastantes.

Mas, voltemos ao assunto do texto: compras. Você trabalha o ano todo e junta dinheiro para algo especial ou pega seu sofrido, suado e até espezinhado 13º para uma viagem, um novo celular ou qualquer outra coisa. As mulheres, ao menos as normais, já pensam em gastar com a família, o marido, ela mesma e vão às compras como se fosse o circuito mágico da felicidade. Eu não sei como os marqueteiros, publicitários e hipnotizadores conseguiram colocar essa ideia na nossa cabeça, mas conseguiram.

O circuito de final de ano começa com as crianças em férias, por isso é preciso achar um parente querido para cuidar delas (se ainda forem pequenas) enquanto trabalhamos e como trabalhamos nesse período! Se forem adolescentes nos cobram algo para fazer, apesar de sempre ser possível esquecê-los com uma garrafa de refrigerante e um pacote de salgados no quarto, mas não muito saudável.

Acreditando no espírito de confraternização, os parentes sem noção podem até mandar seus filhos para sua casa, mas se esquecem de que não há empregada, cozinheira e acreditam que ETs aparecerão para alimentar seus rebentos e evitar que coloquem fogo na casa, no caso, a sua.

Depois, há o período de compras… ah, as compras!!! Que horror! Primeiro é preciso conseguir dinheiro, depois tempo, paciência, vaga para estacionar e paciência, muita paciência. Você não deve nunca ceder ao impulso de levar toda a família de uma vez, leve aos poucos: um ou dois. De preferência, separe os irmãos se não quiser ficar louca. Marido… jamais.

Você conseguiu o tempo e um pouco de dinheiro. Vai ter dificuldade para andar nas ruas, dirigir e conseguir estacionar é o mesmo que ganhar na Mega da Virada. Mas, depois de horas ou dias de persistência, você conseguiu entrar no shopping. Use roupas confortáveis, vai ter que se movimentar muito para disputar um lugar na frente da vitrine tentando ver algo que queira, enquanto outras clientes enlouquecidas fazem o mesmo. É tipo uma aventura na selva, só que mais perigosa.

Se você localizar o produto que quer, digamos um sapato. Aí, vem a etapa seguinte: conseguir uma atendente. Você pode começar a pular e balançar os braços no alto como no carnaval da Bahia ou uivar para chamar a atenção de alguém:

Moooçaaa, eu queria aquela sandália ali, por favor (gentileza é fundamental!)

Qual a azul? Que número?

Não a vermelha! 36.

A azul só tem agora no 38, mas a forma tá pequena – diz a vendedora virando de costas (vendedoras são muito pacientes nesse período).

Não azul e nem 38, a vermelha no número 36. Tem?

Ah, sim. Tem, vou pegar…

(25 minutos depois, volta a vendedora cheia de caixas da sandália azul 37, 38 e 39)

Olha trouxe várias da que gostou!

Mas, eu gostei da vermelha.

Ah, desculpe. Outra pessoa deve ter pedido essa, mas porque não prova é bonita também e combina com o branco de seus olhos!

Meu número é 36, você ouviu, 36! (você não precisa gritar muito alto, apenas para meia loja ouvir já é o suficiente)

 – Calma, vou buscar a outra. (lá vai a vendedora por mais 25 minutos enquanto sua úlcera explode e seu filho destrói seu celular)

(mantendo a calma e a chapinha, você espera com a esperança de conseguir a sandália)

Olha aqui, agora tá certa: vermelha, 35!

Você experimenta e percebe que os dedos não conseguem se mexer, talvez um número maior seja a solução.

Tem número 36?

36… tinha até 20 segundos, acabei de vender para outra mulher.

Mas como? Estou aqui há uma hora e te pedi primeiro a sandália?

Ela me abordou logo que saí do estoque e foi bem convincente, disse até que conhecia minha mãe, sabia onde moro e contou que o Fábio, meu peguete, anda me traindo. Tive que dar a sandália para ela, entende?!

Hã?! Quem é Fábio? O que isso tem a ver com minha sandália? – pergunta a compradora atordoada.

Fábio é meu namorado. Ela me deu informações importantes sobre esse sem-vergonha. Vou terminar após Réveillon, afinal pular as sete ondinhas sozinha num dá sorte, mas depois pé na bunda! (a vendedora parecia estar decidida)

Já desanimada, você leva o número 35 mesmo meio apertado. A vendedora faz a nota de venda e te manda para a terceira fase do inferno de final de ano: a fila de pagamento, longa, enrolada e se tiver mais do que uma com certeza a sua será mais lenta. Mantenha a fé, os dias ficam mais longos, mas ainda acabam.

Depois é só pagar o estacionamento, carregar os pacotes, fazer as compras de frutas, carnes e outros produtos da ceia, dirigir centímetro a centímetro até chegar em casa. Cozinhar, arrumar a casa, brigar por horário no cabeleireiro, na manicure e na depilação. Receber os amigos, promover a harmonia, arrumar um presente de última hora para uma tia que nunca aparece e agradecer a Deus por ainda estar viva! Como eu adoro o final de ano! (SQN)

(Alessandra Morgado)