Frango em vendas

Uma situação infelizmente ainda comum, e que tem a ver com o fato de o vendedor não estar motivado, acontece quando ele não atende imediatamente o cliente e, pior, o prejulga como o “consumidor que não vai comprar”. Ele utiliza uma espécie de “achômetro”, como se conseguisse prever pelo olhar se a pessoa vai adquirir ou não o produto.

Lembro-me de uma ocasião em que eu estava na minha sala na loja de móveis e entrou uma das vendedoras, toda nervosa, dizendo:

– André, roubaram minha venda!

Respirei fundo e disse que venda não se rouba, mas ela insistia que tinha sido passada pra trás. Fui verificar o que havia acontecido e percebi que ela estava se fazendo de vítima. Notei que o cliente “roubado” dela havia chegado no local num fusca velho. Como ela era a vendedora da vez, inventou uma desculpa para não atender o cliente. Falou que precisava ir ao banheiro. E, assim, passou o suposto “abacaxi” para outra.

Acontece que o “abacaxi” era mais suculento do que ela imaginava. O senhor era um colecionador de carros antigos. Ele gostou do atendimento da vendedora que o atendeu, voltou ao carro e retornou com uma planta da casa que estava construindo. Fechou um negócio alto e quem levou a comissão foi a segunda colaboradora. A reclamante se mordeu de inveja, mas sem razão alguma.

Diante do acontecido, dei uma lição para ela que chamo de “Frango em Vendas”. Por que esse nome? Porque frango cru não tem cheiro e não chama a atenção. Não há nada nele que incentive a degustação. Já o frango assado tem um aroma provocativo, que aguça o apetite. Porém, é preciso deixar claro que um frango assado é o resultado de muita atenção e cuidados dispensados a um frango cru. Um cliente, antes de tornar-se fiel, requer dedicação.

A vendedora que disse ter o cliente roubado, na verdade não quis “prepará-lo” para efetivar a compra. Ela não se dedicou. Deixou-se levar pelas aparências iniciais, sem imaginar que o melhor ainda estaria por vir. Isso é típico de vendedores preguiçosos, que não entendem o real significado da palavra trabalho.

Arrematei a conversa dizendo a ela: – Querida, você quer apenas o fácil, mas só sobrou o difícil. Você está atrás de frango assado e na empresa só tem frango cru! Quem não se esconde e, mais que isso, usa o coração em um atendimento, garante a fidelização do cliente. Quem corre na frente bebe água limpa. Quem corre atrás nem água bebe.

Uma vez senti isso na pele quando, bem cedinho, fui a um hipermercado comprar flores para uma amiga que fazia aniversário. Escolhi o vaso, passei pela caixa e perguntei para a moça se ela podia me ajudar a fazer um embrulho bonito, com papel colorido e fitas. A resposta foi bem seca:

– Eu não sei fazer pacote e o pessoal ainda não chegou.

Havia outra funcionária ao lado e quis saber se ela não poderia me ajudar. Outro desânimo: – Eu entro às sete e meia e ainda são sete e quinze! Por fim, recorri à outra caixa, que estava livre e lixava as unhas. Ela nem tirou os olhos das mãos e disparou, com toda antipatia: – Eu sou o – pe – ra – do – ra de caixa, eu não faço embrulho!

Se o produto não tivesse sido registrado, eu daria meia volta e devolveria. Diante dos três baldes de água fria do “trio simpatia”, eu pedi papel e fita e fiz o pacote em casa. Depois esse pessoal reclama de crise!