Futuro hotel pode garantir estabilidade ao Lar dos Velhinhos

A manutenção de uma entidade filantrópica em períodos de crise é sempre um desafio. Para superar os obstáculos — principalmente financeiros —, o Lar dos Velhinhos iniciou um ousado projeto de construção de um hotel às margens das avenidas Renato Wagner e Centenário, ambas recentemente revitalizadas, próximo ao Shopping e em frente ao rio Piracicaba.
 
 
Jairo Ribeiro de Mattos, presidente da entidade, disse que a ideia não é nova, porém ficou muito tempo parada. “Deixei a direção do lar há quatro anos para que uma nova equipe pudesse vir e dar andamento ao trabalho, mas não foi possível. Agora que voltei, vendo a dificuldade financeira e a falta de opções para arrecadar fundos, mandei atualizar o projeto e ofereci a diversos empresários e as obras já começaram”, disse.
 
A parceria é para que a empresa construa e explore o hotel por até 20 anos, em contrapartida a entidade ficará com a renda do estacionamento do local, onde estima-se renda de até R$ 20 mil por mês. “Serão 118 apartamentos e 130 vagas. É um negócio viável e rentável para nós. Além disso, após estes 20 anos, quem irá administrar o hotel seria o próprio lar, assim como já fazemos com um posto de combustível que nos dá R$ 7 mil mensais”, destacou Mattos. Em 2017, o lar teve mais de R$ 9,3 milhões em gastos e recebeu pouco mais de R$ 2,16 milhões por meio de convênio com o poder público.
 
Em julho de 2017, o lar devia cerca de R$ 500 mil a uma empresa terceirizada, responsável pela administração interna do espaço. “Nós não pagávamos impostos, tem lei que autoriza isso, porém, com a contratação da terceirizada, passamos a pagar indiretamente os impostos, além de pagar pelos serviços prestados. Isso levou a uma situação insustentável. Rompemos o contrato e, desde então, estamos com um custo 30% menor ao mês. Também recebemos R$ 200 mil antecipadamente dos responsáveis pelo hotel, para acertamos parte destas contas. Hoje, não estamos no azul, mas todos estão recebendo em dia e não temos nada atrasado com ninguém”, enfatizou.
 
Atualmente, o lar tem uma fila de espera para acolhimento entre 30 e 40 idosos, mas a lista já foi maior. “Já tivemos mais de 50 esperando. No final do ano passado fizemos uma reforma nas 80 camas do pavilhão feminino e a espera de idosas diminuiu muito. Agora, estamos finalizando a reforma das 90 camas do pavilhão masculino. Com isso, estimamos que a espera seja menor”, ponderou Jairo Mattos.