Gaema cobra 100% de tratamento de esgoto

Mirante 100% do esgoto é tratado, segundo Semae e Mirante. (Claudinho Coradini /JP)

O título de 1ª colocada no ranking de saneamento da Abes (Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental) conferido a Piracicaba não abranda o rigor dos promotores do Gaema (Grupo de Atuação Especial do Meio Ambiente), que apertam o cerco para que o município trate o pequeno percentual remascente do esgoto (estimado em 0,05) produzido por seus moradores e que ainda é lançado sem tratamento no ambiente . As cobranças do Gaema são direcionadas também para que Piracicaba se torne referência na atenção aos efluentes industriais.

Recentemente, o promotor Ivan Carneiro Castanheiro enviou uma série de questionamentos à empresa Águas do Mirante e ao Semae (Serviço Municipal de Água e Esgoto de Piracicaba). As respostas foram encaminhadas no final de julho e Castanheiro analisa o documento para definir se há providências a serem tomadas. Uma das perguntas refere-se ao porquê de a empresa propagandear que há 100% de tratamento de esgoto uma vez que não há coleta em bairros como Monte Alegre e na avenida das Ondas.

Tanto Águas do Mirante quanto Semae responderam que a informação sobre os 100% é correta, uma vez que todo o esgoto coletado por rede pública ou de fossas sépticas é tratado. No caso do Monte Alegre, a informação é que a construção da ETE compete ao empreendedores responsáveis pela contrução de um condomínio fechado no local (leia matéria nesta página).

Em relação à avenida das Ondas, onde há 22 imóveis, a informação é que a de que todos os imóveis têm fossas sépticas e a Águas do Mirante realiza periodicamente a limpeza delas e encaminha o esgoto para as ETEs do município. O mesmo procedimento é adotado para atender a outras 815 moradias localizadas em “bairros afastados da zona rural”.

Pelas informações da autarquia e da Águas do Mirante, há 550 moradias em ocupações irregulares em áreas invadidas, chamadas de comunidades, nas quais o esgoto não é coletado. O projeto para resolver o problema nas comunidades Três Porquinhos, Ciubi e Promissão já teria sido aprovado. Existe, contudo, uma ação de reintegração de posse movida pelo proprietário da área que inviabilizaria o início das obras. 110 moradias nessas comunidades, que ficam na região do bairro Kobayat Líbano.

No caso da comunidade Parque dos Sabiás, também na região do Kobayat Líbano, onde há 70 moradias, a autorização de serviço já foi emitida e a previsão é que a obra seja concluída em quatro meses. Nos demais casos, as partes esclareceram que ações de reintegração de posse ou edificações em áreas de preservação permanente podem dificultar as intervenções, o que “impossibilita a precisão de um cronograma de obras”

(Rodrigo Guadagnim)