Gato, cachorro, papagaio. E agora?

Como fazer com que animais de espécies diferentes convivam harmoniosamente na mesma casa. Será que isso é possível?

A expressão “como cão e gato” geralmente é utilizada para definir pessoas que não se entendem. A verdade é que é sempre um desafio fazer com que espécies diferentes convivam bem e harmoniosamente no mesmo local, e algumas dicas podem ser valiosas para que o processo de adaptação não se torne um verdadeiro ringue de luta.
De acordo com a veterinária Mariana Bortolazzo, alguns instintos selvagens que os animais domésticos ainda guardam podem ser os mais possíveis causadores das dificuldades de convivência. “Existem algumas razões para que cães e gatos se evitem.
Uma hipótese provável é que essas espécies cresceram separadamente e quando se aproximaram houve um conflito natural. Alguns cães apresentam comportamento de caça a animais pequenos. Basta a presença de um gato para que aconteça uma briga”, explica. “É válido lembrar que cães estranham outros cães, assim como gatos estranham outros gatos, quando dividem o mesmo espaço. E a questão não é simplesmente o instinto de caça, mas também o de liderança. Há uma necessidade de liderar o ambiente e, consequentemente, ganharem atenção do dono”, enfatiza Mariana.
Para resolver essa disputa territorial é importante fazer com que os animais entendam a necessidade de dividir o espaço e o amor da família. “A aproximação dos animais deve ser feita gradualmente e com cuidado, pois pode gerar desconforto e estresse, para os donos e para os animais”, afirma a veterinária.

ADAPTAÇÃO
Como em diversos processos da vida, a paciência deve reinar. “É muito importante não forçar a relação e não ter pressa em deixá-los juntos. Se possível, coloque o novo animal em uma caixa de transporte ou preso em uma guia, para que ele se sinta seguro”, aconselha Mariana. “Escolha um local seguro e calmo da sua casa, feche portas e janelas para minimizar risco de fugas e de se machucarem. Faça a apresentação dos animais individualmente. Nos primeiros dias com certa distância e, aos poucos, realize a aproximação”.
Uma dica para ajudar os mascotes a associar a presença de outro animal com uma coisa boa é oferecer petiscos como gratificação ao esforço do bichano. Se apesar de toda a paciência e cuidado o processo de adaptação ainda for difícil, o aconselhável é procurar ajuda de um profissional adestrador que garanta uma aproximação mais tranquila.

PENAS E PELOS
Muitas pessoas desejam ter aves em casa, porém isso complica se outro animal já for o “rei” do lar. É importante ter cuidado quando se tem uma ave com cachorros ou gatos na casa, já que são animais extremamente delicados, e qualquer desentendimento pode levar a morte da ave. “Para iniciar esse processo de apresentação e aproximação entre os animais de diferentes espécies, certifique-se de manter a ave dentro da gaiola até que os bichos se acostumem um com o outro. “Deixe que os animais tenham esse tipo de contato por algum tempo e durante vários dias, observando como eles se comportam um com o outro antes de deixá-los soltos”, indica Mariana. “O temperamento do mamífero deve ser analisado, pois um animal muito bravo pode matar a ave em segundos. Da mesma forma, analise o temperamento da ave antes de soltar junto a outro animal, já que alguns pássaros são agressivos”.
Mesmo após o período de adaptação dos bichos, é sempre importante estar de olho para que acidentes não aconteçam. Todo cuidado é pouco!

“Acho que vi um gatinho…”
Achar que o seu animal de estimação é apenas o bebê da casa pode não ser uma ideia correta. Alguns pets continuam mantendo instintos selvagens mesmo após milhares de anos de domesticação, como é o caso dos gatos, por exemplo. Apesar de fofos e engraçados, os felinos são predadores e o comportamento da caça continua presente na rotina desses animais.
Quem pretende adquirir um animal de espécie diferente precisa levar em conta que no reino animal existe uma cadeia alimentar bem definida, e que o instinto pode falar mais alto em grande parte das vezes. Um passarinho ou peixe pode ser um prato cheio para o gato da casa. Por isso, a veterinária Mariana dá algumas dicas:
– Permita que ele conheça diferentes espécies e aprenda a se relacionar com elas desde filhote. Não estimule o instinto de caça, fazendo brincadeiras como correr atrás de cordões. Se ele não é estimulado, não desenvolve a vontade de perseguir animais”, recomenda.
– Coloque a gaiola, aquário ou a casinha em um lugar alto e firme de preferência, tornando difícil o alcance.
– Compre diversos brinquedos para o gato e espalhe pela casa. O intuito é que ele se distraia com os objetos, gaste energia durante o dia todo e não tenha tempo ou interesse de importunar o outro animal.
– Nunca arrisque para ver o que pode acontecer, já que o a espécie mais frágil pode não ter um final feliz. É difícil fazer com que exista amizade entre animais que estão ligados pela cadeia alimentar, mas o mais importante é que exista respeito e que cada um possa viver tranquilamente em seu canto.

 

 

ALIMENTAÇÃO
Com várias espécies em casa, é necessário ter em mente que mais de um tipo de alimentação deverá ser oferecida. Cada ração é pensada com nutrientes especiais para o animal, e não é uma boa escolha oferecer o mesmo tipo para todos os animais da casa.
Uma situação que pode ocorrer é o desejo de um dos pets pela comida do outro, e para evitar que isso ocorra, alguns cuidados podem ser aplicados. “Recomendo que a ração seja colocada em horários determinados e locais diferentes para cada animal. Retirar depois de 20 minutos, e nos casos dos gatos, coloque a ração no alto”, diz a veterinária. “Esses hábitos também beneficiam todos os animais, pois a quantidade de alimento ingerido é controlada, o que reduz o risco de obesidade e possibilita que o dono note possíveis alterações no apetite dos mascotes”.

Animal é tudo de bom, isso é verdade, mas o cuidado e o respeito com cada espécie deve prevalecer. Todos vivem melhor quando as limitações de cada espécie são respeitadas.