Gato escaldado

Semana passada, o Gaema (Grupo de Atuação Especial em Defesa do Meio Ambiente), ligado ao Ministério Público, baixou uma portaria para instauração de inquérito civil para apurar os impactos ambientais, sociais, econômicos e de mobilidade urbana com a construção de unidades habitacionais, através de uma parceria público privada entre a prefeitura e a Proud Participações S.A. Os promotores alertaram sobre os riscos de tais construções em uma região com fragilidade ambiental e muito distante da região central, o que poderia dificultar a vida dos moradores por causa da falta de equipamentos públicos e causar dificuldades de locomoção.
 
Ontem, a Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara demonstrou preocupação semelhante, ao anunciar que pedirá a retirada do projeto de lei complementar que viabiliza a Operação Urbana Consorciada Corumbataí, em Santa Teresinha. A comissão formalizou sua decisão na manhã de ontem. Reportagem nesta edição mostra que o parecer da retirada será oficializado no próximo dia 7 e encaminhado ao projeto Barjas Negri (PSDB), autor do projeto. Oremos para que o prefeito tenha o bom-senso de retirar a propositura.
 
Em nota, a presidente da comissão, vereadora Nancy Thame (PSDB), disse que a preocupação é com os danos ambientais, com os impactos sociais e econômicos. Fez muito bem a comissão, que está preocupada com a votação do projeto antes da conclusão do inquérito do Gaema.
 
Aqui não se trata de conter o progresso, que é necessário. Mas, nesse caso, de precaução. Se os estudos de impacto ambiental e de vizinhança comprovarem que as moradias não vão causar impactos profundos ao meio ambiente e na mobilidade urbana, com certeza os promotores poderão até arquivar o inquérito e nem ingressar com ação. Mas essas duas linhas de frente — do MP e da Câmara — podem ajudar a frear um projeto que terá repercussão negativa a longo prazo. É preciso lembrar que além do custo social, a área do futuro “bairro” fica às margens do rio Corumbataí, principal fonte de abastecimento de Piracicaba, e também rodeada de nascentes.
 
Algumas perguntas ainda estão no ar. Por que não ocupar os espaços vazios existentes na cidade? Por que construir unidades habitacionais a 30 quilômetros do Centro? Sabe aquele ditado popular: gato escaldado tem medo de água fria? A comissão fez bem em pedir a retirada do projeto. (Claudete Campos)