Grávidas não podem tomar vacina contra o sarampo

Quem não foi imunizada deve evitar locais com grande aglomeração de pessoas, pois existe o risco de contaminação. (foto: Freepik)

O sarampo é uma doença grave, viral e com transmissão via área. Provoca febre, tosse, irritação nos olhos, coriza, congestão nasal e mal-estar intenso, além do surgimento de manchas vermelhas que se espalham pelo corpo. Se não tratado, o vírus pode levar à morte, principalmente por facilitar o surgimento de infecções secundárias. Um surto da doença assustou a população nos últimos meses.

Em agosto, a OMS (Organização Mundial da Saúde) divulgou um relatório com a informação de 364.808 casos de sarampo haviam sido notificados entre janeiro e julho de 2019 ao redor do globo. O número é quase três vezes maior do que o registrado no mesmo período do ano anterior. O surto é considerado o pior desde 2006.

No Brasil, 3.339 casos de sarampo foram confirmados em 16 estados nos últimos três meses, de acordo com boletim do Ministério da Saúde. 97,5% dos infectados estão concentrados no estado de São Paulo, no qual 3.254 confirmações da doença foram registradas. Dados da OMS apontavam para a erradicação do sarampo nas Américas desde 2016, e as causas da epidemia são atribuídas à falta de vacinação.

A situação colocou as entidades de saúde em alerta, que intensificaram as campanhas de vacinação e convocaram a população brasileira para as filas dos postos de saúde. Apesar da comoção, o ginecologista Paulo Padovani, diretor do Centro de Reprodução Humana de Piracicaba, alerta que as gestantes devem ficar atentas, pois não podem ser imunizadas.

“Como a Vigilância Epidemiológica está fazendo ações de bloqueio com vacinação em algumas empresas, escolas ou locais que abrigam grande número de pessoas e registram casos suspeitos da doença, é preciso que as mulheres grávidas ou que estejam tentando engravidar comuniquem os agentes de saúde e não tomem a vacina”, ressalta o especialista.

O motivo da orientação é o risco ao que o feto é exposto com a aplicação da vacina, já que a fórmula é produzida com o vírus do sarampo vivo, atenuado.  “O sistema imunológico fica vulnerável durante a gestação e, ao receber a vacina com germe vivo, a mulher pode desenvolver a doença e ter complicações, além de prejudicar o feto em desenvolvimento”, explica Padovani.

A gestante que já tomou as doses da vacina, em qualquer período da vida, está protegida. Quem não foi imunizada deve evitar locais com grande aglomeração de pessoas, pois existe o risco de contaminação. A prevenção é indispensável, pois na gestação o sarampo torna-se ainda mais perigoso, podendo levar a complicações graves, como abortos espontâneos e partos prematuros.

 

QUANDO SE IMUNIZAR?

Em gestações planejadas, nas quais a consulta é feita com antecedência, a orientação é pela vacinação. Caso contrário, o recomendado é aguardar o nascimento do bebê, pois os anticorpos da imunização são passados ao bebê por meio do leite materno.

“A mulher que ainda não foi imunizada pode tomar a vacina do sarampo desde que aguarde, no mínimo, 30 dias para engravidar”, destaca o ginecologista.

 

Mariana Requena
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