Grupo vai à Justiça para se manter no imóvel do Centro Social Cáritas

A diretoria do Centro Social Cáritas vai entrar com ação na Justiça para garantir a manutenção da posse do imóvel, no bairro Pauliceia, em fase de desapropriação pela Prefeitura de Piracicaba. O secretário da entidade, Bruno Campos, disse ontem que a prefeitura não informou a instituição sobre a assinatura de cinco decretos de desapropriação para implantar um equipamento social no local, que já abriga uma unidade básica de saúde.Campos nega que a retomada foi amigável.

Com a ajuda da população, a entidade fez a manutenção e limpeza no imóvel para retomar as atividades no local. A diretoria da entidade ficou sabendo sobre os decretos pela imprensa.Até ontem, a entidade não havia sido notificada da decisão. “Não foi amigavelmente. (O prefeito Barjas Negri) mão veio falar com a gente. Vamos recorrer do decreto na Justiça”, ressaltou Campos.

Em resposta à publicação dos decretos, a entidade reocupou o imó- velnosúltimos trêsdias epretende retomar as atividades a partir de amanhã. Para isso, a diretoria da entidade iniciou uma ocupação com a população no sá- bado, com limpeza do espaço e manutenção do prédio. Amanhã serão retomadas as atividades. Através de parcerias, pretende implantar cursos de capoeira, dança, teatro, hip hop, cursos profissionalizantes e posteriormente, a creche, informou Campos.

 

DESOCUPADO – Esse imóvel abrigava uma creche, que foi desativada há um ano e sete meses. Em funcionamento, atendia 65 pessoas. Somente a diretoria atuava no imóvel. Vazio, o prédio começou a ser ocupado por moradores de rua e por usuários de drogas.

O questionamento de Campos é por que a prefeitura não encaminhou esses ocupantes do imóvel para os projetos sociais. Além disso, informou que a manutenção da área de 3 mil metros quadrados era responsabilidade do Executivo, desde 2003, por causa da cessão da área à prefeitura para construir a creche.

O JP questionou a prefeitura sobre a reocupação do imóvel pela entidade e se pretende entrar com reintegração de posse , mas a assessoria não respondeu aos questionamentos e enviou o mesmo release encaminhado semana passada informando sobre a decisão de implantar um equipamento social no terreno doado em 1976 à entidade. O imóvel foi penhorado para pagamento de ações trabalhistas. Por causa disso, a entidade não podia receber verbas municipal, estadual e federal, informou a prefeitura.

Na nota enviada semana passada, o governo informou que a decisão foi motivada pela insegurança causada pelo imóvel desocupado.