Grupos protestam contra assassinato de vereadora do Rio de Janeiro

 
 
Grupos piracicabanos protestaram ontem contra a morte da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco (PSOL), assassinada na quarta-feira quando voltava de um evento na região central. A concentração começou às 17h na praça do Terminal Central e seguiu em passeata até a Câmara de Vereadores, onde o grupo pretendia usar a tribuna para debater o caso. 
 
Cerca de 60 pessoas integraram o ato em Piracicaba, que pedia justiça para a vereadora e se posicionava contra o genocídio de negros. Entre os grupos presentes, estavam Marias de Luta, PLPs (Promotoras Legais Populares), Sindicato dos Bancários e representantes de partidos políticos, como PSOL, PCdoB e PT. Diversas cidades da região registraram manifestações, como Limeira e Campinas. 
 
Segundo a universitária piracicabana Priscila de Oliveira Padilha, 19, do Levante Popular da Juventude, o ato foi organizado através das redes sociais. “Infelizmente, precisou de uma morte para todo mundo se unir pela vida de uma mulher negra. Que era mãe, da periferia e a gente sabe sim que foi uma execução, não tem essa de vestígios de execução. A gente acredita que possa ter sido uma perseguição política, por ela ter acusado os PMs (Polícia Militar) do Rio pela morte dos meninos que foram jogados em uma vala”, disse. 
 
A psicóloga carioca Vanessa Santa Bárbara, 28, que atualmente mora em Piracicaba, chegou a participar de eventos e manifestações com a vereadora. Ela faz parte do movimento das PLPs (Promotoras Legais Populares). “Conhecia (a Marielle) de militância, de algumas participações que tive em eventos, manifestações, então, eu tive uma certa proximidade. A morte dela traz à tona o genocídio que ela estava denunciando, que é claro para a gente o genocídio da população preta como um todo. Deixa claro o quanto a gente tem que ir para a lutar. A gente tem que fazer esse recorte da pessoa preta porque a cada 11 minutos morre uma pessoa preta. Que fique claro e bem nítido o que está acontecendo com a gente de forma ‘mascarada’. A vereadora estava trazendo à tona, denunciando e foi apagada, como fazem com muitos de nós”, afirmou Vanessa. 
 
O corpo de Marielle foi sepultado no final da tarde de ontem no cemitério São Francisco Xavier, no completo do Caju, que fica na zona norte do Rio de Janeiro. Além dela, o motorista Anderson Pedro Gomes, 39, também foi assassinado. A Polícia Civil do Rio investiga o caso.