Guarda, Saúde, Educação e Trânsito lideram afastamentos

saúde Prefeitura implantará programa de prevenção. (Foto: Claudinho Coradini/JP)

Estudo realizado pelo Sempem (Serviço Municipal de Perícias Médicas) mostra que, em seis anos, a Prefeitura de Piracicaba contabilizou 10.102 dias de afastamento de servidores públicos municipais por uso de álcool ou drogas. O total de trabalhadores afastados por esse motivo soma 260, sendo que para cada caso, o número de dias de afastamento variou de um a 427 dias. A Secretaria de Educação foi a que apresentou o maior número de dias de afastamento (2493), seguida pela Guarda Civil (1978), Saúde (1944), Semuttran (1615), Administração (853), Obras (751), Sedema (193), Agricultura (180) e Semutri (155).

Sobre a quantidade de servidores afastados, a Guarda Municipal foi a que apresentou maior número: 63 servidores. Em seguida vem a Saúde com 52, Educação com 49, Semuttran com 46 e Administração, 21.

“Nosso objetivo foi o de quantificar o número de afastamentos e analisar o impacto destes sobre a vida do servidor e para a administração municipal. Para isso utilizamos a respectiva CID-10 (Classificação Internacional de Doenças), siglas F.10 a F.19 (Transtornos mentais e comportamentais devidos ao uso de substância psicoativa). A pesquisa foi realizada por profissional da saúde, sendo preservado o sigilo das informações e a identidade dos servidores”, explicou o interlocutor do Sempem e médico perito, Rubens Cenci Motta.

Para se chegar a esses números, Motta explicou que, a partir da informatização de dados, foi possível cruzar as informações dos pareceres médicos, dos médicos peritos e da Segurança do Trabalho. “Atualmente são cerca de 8 mil servidores municipais e, com esses dados em mãos, identificamos a necessidade de criar um programa de prevenção, pois até então atuávamos apenas com programas corretivos”, explicou.

Segundo Motta, o trabalho de identificação desses servidores é delicado. “Quem ingressa na prefeitura permanece 30, 35 anos. Será delicado realizar esse serviço para quem já tem 20 anos de casa e diagnóstico de patologia há 10 anos, por exemplo. O ideal é iniciarmos o trabalho com os ingressantes”, salientou.

Motta disse que, além da preocupação com a saúde do servidor, há um fator que deve ser levado em conta quando há afastamento desse trabalhador. “A prefeitura já trabalha no limite, em muitos casos há falta de servidores para que o atendimento seja a contento. Quando há um afastamento, o atendimento à população fica prejudicado e há outro agravante que onera os cofres públicos, pois para aquela vaga será necessário fazer outra contratação, somando pagamento de dois funcionários para a mesma vaga”, explicou.

Com a implantação do programa de prevenção atrelado ao já existente de correção, haverá uma sensível melhora na prestação de serviço à comunidade. “Nossa pretensão é diminuir a necessidade de contratação emergencial, dar apoio aos casos mais graves e tentar recuperar os recém-afastados. No caso dos guardas municipais, por exemplo, não existe a possibilidade de colocar um outro profissional no lugar do afastado, o que gera defasagem no serviço”, explicou.

SINDICATO – O diretor do Sindicado dos Trabalhadores Municipais de Piracicaba e Região, José Osmir Bertazzoni, disse que desconhece a fonte de dados deste estudo e questionou a qualidade da mesma. “Aqui no Sindicato atuamos com esse trabalho multiprofissional há 20 anos. Vale saber se neste estudo também se questiona o motivo pelo qual este trabalhador iniciou o uso de medicamentos controlados, drogas ou álcool. Esses trabalhadores listados como os que mais se enquadram nessa realidade são os que atuam no limite de suas funções, com alto nível de estresse. No entanto, tudo que venha agregar para dar suporte de dignidade a esses trabalhadores, mesmo que de maneira tardia, o Sindicato se coloca à disposição para ajudar”, ressaltou.

(Fernanda Moraes)