119 anos do Jornal de Piracicaba, um guardião da história

Aos 119 anos, Jornal de Piracicaba mantém sua vocação de defensor do desenvolvimento da cidade. (foto: Amanda Viera/JP)

Trazer a verdade aos leitores e defender o desenvolvimento da cidade são dois valores imprescindíveis para o Jornal de Piracicaba, que hoje chega aos 119 anos e 41.205 edições ininterruptas em um momento difícil para a imprensa mundial, com a tecnologia dominando o mercado de notícias e o papel tornando-se seu coadjuvante. Chegar até aqui não foi fácil, mas a vocação do JP nunca foi de desistir da boa briga no mundo jornalístico.

Há 80 anos sob direção da família Losso, o Jornal de Piracicaba chegou aos leitores a primeira vez em 4 de agosto de 1900, por iniciativa de Manel Buarque de Macedo, proprietário de uma fábrica de tecidos, ao lado do redator-chefe Antonio Pinto de Almeida Ferraz, o Antoninho, e do diretor-gerente Alberto da Cunha Horta. Piracicaba, então com cerca de 14 mil habitantes, ganhava uma folha diária, que desde então faz parte do dia a dia dos moradores da cidade.

Durante quase quatro décadas, um leitor sonhava em comprar o jornal para seus filhos, para que eles pudessem ter um negócio próprio. Em 1939, aos 66 anos, o proprietário da casa lotérica Ao Gato Preto, José Rosário Losso, finalmente conseguiu concretizar seu objetivo ao lado dos filhos Fortunato Losso Netto e Eugênio Luiz Losso. Fortunato tinha 29 anos e, apesar da formação em Medicina, já tinha experiência em redação, por ter sido colaborador do próprio JP na adolescência e também revisor e redator em jornais do Rio de Janeiro, onde havia feito faculdade. Aos 41 anos, o artista plástico Eugênio passou a gerenciar a empresa da família, que também possuía uma papelaria e tipografia.

Inovações

Ao longo desses 119 anos, o JP esteve em três endereços. A primeira redação funcionava no Largo do Theatro, número 1, Caixa 19. Em 28 de janeiro de 1914 o Jornal foi para a rua Moraes Barros, 67, onde ficou até 1995. Desde então a redação encontra-se na Avenida Comendador Luciano Guidotti, 2525, no Jardim Califórnia.

Para manter os leitores e conquistar novos assinantes, a direção do Jornal de Piracicaba sempre esteve antenado às transformações tecnológicas, sem deixar de lado seus valores e respeito à cidade. A máquina plana, que estava em funcionamento desde 1910, foi substituída em 1967 pela rotoplana, o que permitiu aumentar o número de páginas e cadernos. A primeira reformulação gráfica aconteceu na década de 70, com a substituição do sistema tipográfico a quente pelo sistema de fotocomposição e impressão off set.

A digitalização chegou ao JP em 1995. O ano foi significativo para a empresa, com a inauguração de seu novo parque industrial e um novo projeto gráfico moderno. Ao final do século 20, em 1999, seguindo a tendência mundial, o Jornal de Piracicaba passa a chegar aos seus leitores através da internet. Hoje, a assinatura digital é bastante pedida, mas ainda há leitores que se apegam ao hábito de ler o jornal impresso para “sentir o papel”.

Após a morte de seus fundadores, o Jornal de Piracicaba passou a ser dirigido pelo netos de José Rosário Losso, Antonietta Rosalina da Cunha Losso Pedroso e José Rosário Losso Netto. Atualmente, o filho de Antonietta, Marcelo Batuíra, segue à frente do matutino de seu bisavô.

 

Andrea Mesquita
Especial para o JP