Há 2 meses, associação denuncia falta de medicamento de alto custo

Um medicamento para o tratamento de esclerose múltipla está em falta na Farmácia de Alto Custo de Piracicaba. O Gilenya, genérico do Fingolimode, não é distribuído aos pacientes há mais de dois meses, segundo a Appem (Associação Piracicabana de Portadores de Esclerose Múltipla). O DRS (Departamento Regional de Saúde) de Piracicaba afirma que o medicamento deverá estar disponível para retirada até o final desta semana. 
 
 Os problemas com a medicação já são antigos. Em abril de 2017, a própria Appem apontou um problema na distribuição do Fingolimode, que ocorria desde dezembro de 2016. A entidade também criticava a substituição do Fingolimode pelo genérico Gilenya, que atualmente é o único distribuído gratuitamente. 
 
Depois desse período, o problema na distribuição voltou a ocorrer nos últimos dois meses. O desabastecimento atinge pelo menos 50 pacientes, de acordo com a presidente da Appem, Ivete Paes. 
 
“Tiraram o remédio (Fingolimode) e colocaram o genérico, mas não adiantou porque até o genérico está faltando. Eles vão marcando outra data, mas quando a pessoa vai pegar não está disponível”, afirmou a presidente. 
 
Existem casos de pacientes que conseguiram uma ordem judicial para receber o Fingolimode, que não é mais distribuído. Porém, nem mesmo eles estão recebendo a medicação, segundo a associação. 
 
“Tem as ações judiciais, que você tem que cumprir, e eles descumprem a ordem judicial. Sou advogada, parei de advogar por causa da esclerose, mas, na época que eu atuava, ordem judicial tinha que ser cumprida”, criticou Ivete. 
 
O DRS de Piracicaba informou que a “aquisição e distribuição do medicamento Fingolimode (Gilenya) aos estados é de responsabilidade do Ministério da Saúde. O medicamento está em fase de distribuição e deverá estar disponível para retirada até o final desta semana”, traz a nota.
 
O JP relatou ao DRS o caso específico de uma paciente que já obteve a ordem judicial para que o Fingolimode seja fornecido, mas que não está recebendo o medicamento. “O remédio está em fase de aquisição e será cobrada celeridade na entrega do fornecedor. A paciente será comunicada tão logo haja disponibilidade para retirada do produto”, informou o órgão. 
 
No dia oito de março, o JP também mostrou que os medicamentos Alenia e Seretide (para doenças respiratórias) estavam em falta. Na ocasião, o órgão informou que “os fornecedores estão sujeitos a multa por descumprimento de prazo e têm sido cobrados para que entreguem os produtos o quanto antes para não prejudicar os pacientes”.