Haitiano vem ao Brasil para estudar, se forma médico, cria ONG e volta para ajudar seu povo

Médico haitiano é um dos residentes da Secretaria de Saúde de Piracicaba (Divulgação) Médico haitiano é um dos residentes da Secretaria de Saúde de Piracicaba (Divulgação)

Após o terremoto de janeiro de 2010 que, de acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas) provocou 220 mil mortes e deixou 1,2 milhão de desabrigados no Haiti, o então estudante de medicina Georges Dorilien, hoje com 33 anos, decidiu deixar seu país e continuar os estudos no Brasil.

Há oito anos no país, quatro deles em Piracicaba, Georges se formou em medicina pela Ufscar (Universidade Federal de São Carlos) e se especializou em ginecologia e obstetrícia. No último dia 21, ele e outros 13 colegas se formaram na terceira turma da Residência Médica da Secretaria Municipal de Saúde de Piracicaba.

O médico haitiano atua na Santa Casa, HFC (Hospital dos Fornecedores de Cana) e unidades de saúde do município. No Brasil, além do diploma de médico e especialista, ele formou sua família e tem uma filha de três anos.

Georges disse que seu ideal era sair do Haiti, estudar, se formar médicos e voltar para ajudar o seu país. Em Piracicaba, ele e outros cindo amigos médicos formaram a ONG (Organização Não Governamental) Saúde e Saber voltada para o trabalho social e educação. “Ainda está em fase de formação da ONG”, afirmou. Mesmo assim, o grupo – que reúne profissionais de outras áreas de atuação – já foi ao Haiti em duas ocasiões. Lá, os médicos se uniram a outros profissionais do Brasil, Nova Iorque e do próprio Haiti e atenderam 700 pessoas em situação de pobreza. Além do atendimento, os pacientes receberam medicamentos dos médicos e dentistas. “Atendemos 700 pessoas, sendo 500 pelos médicos e 200 pelos dentistas”, comemorou Georges.

O próximo projeto da ONG é trabalhar a prevenção no

Haiti, procedimento que segundo Georges não é comum entre a população. “A ONG tem um projeto para montar um ambulatório para coleta de papanicolau”, contou.

Ao comparar os serviços de Saúde entre os dois países, Georges aponta as vantagens dos brasileiros frente aos haitianos devido o SUS (Sistema Único de Saúde), que em sua avaliação, ” paga-se pouco pelo serviço”. No Haiti, segundo ele, todos os procedimentos médicos são pagos. “Quem não pode pagar pelo atendimento tem de apresentar atestado de pobreza”, afirmou.

A Residência Médica da Secretaria de Saúde de Piracicaba, tem recebido alunos de todos os cantos do país e também do exterior. Entre os novos formandos, além de Georges, havia médico dos estados de Goiás, Belém, Rondônia, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais.

(Beto Silva)