Harmonia para degustar um bom vinho

Amarone, Viejas Tinajas e Malbec

Apreciar um bom vinho também tem muito a ver com harmonizá-lo bem. Seja com massas, carnes ou queijos, cada um desses alimentos combina melhor com um tipo da bebida. Uma regra simples é: comida escura com tinto, clara com branco. Assim sendo, se uma massa tem molho bolonhesa, ela vai combinar melhor com os vinhos tintos, já se o molho é bechamel, o melhor mesmo é um vinho branco. Carnes vermelhas para tintos, carnes brancas para vinhos brancos. É um critério simples, mas que pode complicar se levarmos em conta os tipos de uva, teor alcoólico e até o país de origem da bebida.

Rivaldo Gerdes tem um ditado: “Quando você olha para uma taça de água, vê o seu rosto. Quando você olha para uma taça de vinho, vê a sua alma”. Ele é especialista em vinhos e proprietário do Empório Santa Clara, que guarda uma variedade considerável da bebida – uma verdadeira enoteca. E há quem consiga dispensar uma boa taça de vinho no jantar?

Gerdes explica que algumas variáveis tornam o vinho melhor para cada refeição, portanto o bom mesmo é analisar cada uma de forma especial, mas ele não deixa de dar a dica de alguns rótulos que podem agradar muito bem a paladares e serem harmonizados com pratos diferentes.

Malbec – Torrontês

A uva do tipo Malbec é a especialidade da Argentina, usada geralmente na produção de vinhos tintos, já a Torrontês é uma variedade destinada ao vinho branco, portanto a mistura delas dá origem a uma bebida rosada e exótica. “Esse vinho harmoniza muito bem com comidas japonesas, seja sushi ou sashimi. É uma mistura de um sabor floral, que vem da Torrontês, e do gosto mais seco e gastronômico típico da uva Malbec”, explica Rivaldo.

A sugestão do especialista é o rótulo “Amalaya”, produzido em 2017, no Valle Calchaquí, em Salta, na Argentina. O teor alcoólico é de 13%.

Malbec – Torrontês

Sauvignon Blanc

Claríssimo, com sabor seco e gastronômico, o Sauvignon Blanc é a escolha perfeita para acompanhar entradas. Esse vinho harmoniza muito bem com peixes, queijos e saladas, mesmo que essas tenham um tempero mais ácido.

“De Martino Reserva Estate” é a indicação de Gerdes. A bebida também contém 13% de volume alcoólico e é chilena, produzida no Valle de Casablanca. Uma curiosidade é que o vinho é considerado Estate (“propriedade”, em português) é aquele que é feito completamente dentro das instalações da vinícola, com uvas produzidas lá mesmo e sem nenhuma parte do processo tendo sido transferida para outro local.

Chardonnay

O vinho do tipo Chardonnay tem um sabor floral e com sensação de adocicado. “É um vinho bem de entrada, bem festivo, para começar a noite. Combina para ser servido em almoços”, indica o especialista.

A indicação fica por conta de “La Linda Chardonnay Unoaked”, branco e fabricado na Argentina.

Sauvignon Blanc e Chardonnay

Amarone

Encorpado e com teor alcoólico de 15,5%, o vinho tinto do tipo Amarone é preparado com uvas colhidas maduras, mas que ainda são colocadas sobre tabuleiros de madeira em ranchos de sapé para que ela amadureça ainda mais e murche, partindo para se tornar uma uva passa. É bom para combinar com queijos fortes, como o gorgonzola. “Esse vinho tem um forte retrogosto de uva passa, que faz com que pareça que você comeu mesmo a iguaria”, diz Rivaldo.

Ele indica o rótulo italiano “Colle Cristi”, de 2014.

Viejas Tinajas

Semelhante aos vinhos do tipo Pinot Noir, o Viejas é chileno, mas utiliza técnicas de preparo da França, em que o vinho é fermentado em jarras de barro – daí o nome Tinajas. A uva utilizada é a Cinsault, e a combinação perfeita para acompanhá-lo são as carnes vermelhas.

Mais uma vez “De Martino” marca presença. Teor alcóolico 13%, produzido em 2016 no Vale do Itata.

E aí? Vai uma taça de vinho? Todos os rótulos indicados na matéria são encontrados no Empório Santa Clara – Rua Dom Pedro I, 615, Centro.

Amarone, Viejas Tinajas e Malbec

Mariana Requena

(Fotos: Amanda Vieira/JP)