Homem é condenado a 31 anos pelo assassinato de designer

Réu foi condenado a homicídio, aborto e ocultação de cadáver. (Claudinho Coradini/JP)

O acusado de matar a designer Denise Stella foi condenado a 31 anos e dois meses de prisão em regime fechado. O júri ocorreu nesta quinta-feira (6), na Câmara de Rio das Pedras em decorrência da falta de espaço no Fórum da cidade. O réu era chefe da vítima e teve um relacionamento com Denise, que estava grávida de quatro meses. Ele era casado e queria que designer fizesse um aborto. O laudo do IML (Instituto Médico Legal) de Piracicaba constatou que a mulher, que na época tinha 31 anos, foi morta por asfixia mecânica, devido ao estrangulamento. Ele teria usado o cinto de segurança do carro da vítima.

O exame necroscópico apontou que a vítima gestante tinha múltiplas equimoses (sangramento no tecido subcutâneo) em região do couro cabeludo, tórax, abdômen e em especial na região pélvica (altura uterina), além de traumatismo craniano leve. O documento assinado pelo médico legista Ricardo Tedeschi Matos, constatou que a vítima além da asfixia também foi torturada, pois tinha escoriações enquanto ainda estava viva, pois tinha hematomas em decorrência de arrasto nos joelhos e na região lateral direita do abdômen. Ela estava grávida de 18 semanas, o feto era feminino e media 21 centímetros. Foi realizado exame de DNA que comprovou a paternidade do réu.

O delegado Vagner Roberto Romano, titular da Delegacia de Rio das Pedras, conduziu as investigações e foi uma das testemunhas de acusação durante o júri. Durante seu depoimento, ele enfatizou que as provas colhidas comprovavam a autoria e assassinato. “Relatamos a questão da dinâmica e investigação dos fatos. A partir da localização do carro da vítima, conseguimos apurar que no dia anterior, ela esteve na casa de uma amiga. Soubemos de seu relacionamento extraconjugal do réu e a partir daquele momento passou a ser considerado o principal suspeito”, afirmou o delegado.

Delegado Vagner Romano presidiu a apuração. (Claudinho Coradini/JP)

 

Romano acrescentou que o acusado prestou depoimento, mas apresentou versões controversas. “Ele acabou nos levando ao local de difícil acesso, onde teria jogado o corpo da vítima após o crime. O caso foi esclarecido dois dias depois do ocorrido”, completou o delegado.

O acusado confessou à Polícia Civil, que na noite do assassinato chegou a solicitar para a vítima que fizesse um aborto, mas ela teria ficado agressiva. Frisou que agiu no calor da discussão e não teve a intenção de matá-la. Afirmou que pensou em socorrê-la, mas ela já estava morta. Ele foi preso inicialmente por prisão temporária, mas foi convertida em preventiva. O réu está preso na Penitenciária de Tremembé e chegou ao Fórum com escolta policial.

O promotor de Justiça Fábio Aparecido Gasque, em sua denúncia, considerou que o crime foi provocado por motivo torpe, com tortura e praticado mediante dissimulação e recurso que dificultou a defesa da vítima.

A reportagem não conseguiu entrar em contato com os defensores do réu. O réu foi condenado por homicídio qualificado pelo motivo torpe, aborto e ocultação de cadáver.

 

Cristiani Azanha