Horta vira sala de aula no Eldorado

horta Crianças da Emei Osvladir Júlio com o criador da horta. (Fotos: Amanda Vieira/JP)

Depois da última queimada de lixo no terreno de mil metros quadrados na rua Eurico Gaspar Dutra, no bairro Eldorado, o aposentado Marcos Vinícius, 50, decidiu por um fim na degradação da área pública próxima à Emei (Escola Municipal de Educação Infantil) Osvladir Júlio. Depois de uma conversa com os professores sobre aproveitamento do terreno para atividades pedagógicas, em julho, nasceu o projeto Vivenciar para Aprender. Em três meses de trabalho, o cenário está bem diferente do amontoado de lixo e entulho. Frutas, legumes, verduras e ipês foram plantados no terreno sob sua supervisão e dedicação dos 77 estudantes e professores. O espaço foi inaugurado ontem e contou com a presença de vários moradores do bairro e da comunidade escolar.

Marcos atribui nota dez à dedicação e interesse dos pequenos ajudantes que têm entre um ano e seis meses a seis anos e idade. “É muito bom para eles verem como os alimentos são cultivados, assim dão mais valor ao que comem”, afirmou. “Eles são muito curiosos e perguntam quanto tempo vai levar para aquela semente brotar e se tornar planta”, acrescentou ao lembrar que as plantações ocupam 600 metros quadrados da área.

O grupo já tem projeto para ocupar a outra parte do terreno. Segundo Marcos e a professora Daniela Stenico Arruda de Oliveira, a ideia é de – no futuro – formar um bosque com árvores frutíferas e assim concluir o projeto, não dando espaço para a degradação. “Esperamos contar com o apoio da prefeitura para formar esse bosque”, lembrou o aposentado.

Daniela disse que os cuidados com a horta fazem parte da rotina da escola e, diariamente, os alunos seguem em fila para o melhor momento do dia: regar os canteiros de hortaliças. Com garrafas PET em mãos eles se organizam em fila até chegarem à horta e serem orientados por Marcos. “As crianças ficaram eufóricas com a ideia de colocarem as mãos na terra e aprender. Além disso, parte da produção é distribuída entre alguns moradores do bairro”, disse a professora.

Daniela contou que antes de iniciar a horta, fazia atividades físicas com os alunos em uma das ruas próximas ao terreno degradado. “Eu passava com eles ali. O senhor Marcos plantava uma horta e perguntou se a escola gostaria de usar parte do terreno para plantar uma para as crianças”, contou. A partir daí, Marcos abriu clareiras na área e preparou o solo para receber a horta.

(Beto Silva)