HQ desenhada por piracicabano será adaptada para o cinema

 
A história em quadrinhos Birthright, desenhada pelo piracicabano Andrei Bressan, de 39 anos de idade, será adaptada para o cinema com produção da Universal Pictures, que anunciou a novidade no mês passado. A HQ, divulgada desde 2015 pela editora Image nos Estados Unidos e inédita no Brasil, foi publicada, também, na França, Itália, Alemanha e Espanha. Os roteiristas responsáveis pela produção cinematográfica serão Ken Daurio e Cinco Paul, ambos conhecidos pela animação Meu Malvado Favorito. Em entrevista exclusiva ao Jornal de Piracicaba, Bressan contou que Birthright está em fase inicial para tornar-se um longa-metragem, portanto, ainda não há previsão de lançamento da obra.
 
 
Birthright, série mensal da empresa Skybound iniciada em outubro de 2014, é o primeiro trabalho de Bressan como autor, que assina os desenhos e o visual dos personagens e cenários. Ela foi originalmente concebida pelo roteirista Joshua Williamson e despertou o interesse dos editores Robert Kirkman (criador da série The Walking Dead e fundador da Skybound) e Sean Mackiewicz, que começaram a procurar alguém pra ilustrar a história.
 
 
“Já conhecia o Sean, trabalhamos brevemente na DC Comics e mostrei a ele um trabalho pessoal que estava desenvolvendo, algo bem urbano, mas com ares de fantasia e horror. Na sequência, ele me escreveu dizendo que tinha um projeto chamado Birthright que poderia ser perfeito para mim. A Skybound tem uma forma bem diferente de trabalho, procuram contar grandes histórias, com equipes sólidas e mantendo o foco na singularidade da publicação. São bem criteriosos, cuidadosos com o que publicam”, disse.
 
 
Baseado na questão “o que acontece quando a aventura acaba e o heróis voltam para casa?”, Birthright foi criado como uma resposta do roteirista ao modelo clássico de trajetória dos heróis. A obra conta a história do jovem Mikey, que, depois de se perder numa floresta brincando com o pai, retorna para casa um ano depois, bem mais velho e repleto de histórias sobre um mundo paralelo chamado Terrenos, com monstros, guerreiros e magia, onde cresceu até virar um guerreiro e, posteriormente, um herói. O drama aborda, portanto, a volta de Mikey e o peso de suas escolhas em relação aos familiares. Um ano após seu desaparecimento, ele precisa provar sua identidade enquanto transita entre os dois mundos. Segundo Bressan, todos os personagens se transformam ao longo da série.
 
 
O Mikey, de acordo com o artista, é como uma mistura de Khal Drogo, de Game of Thrones, com o Rollo, da série Vikings. “É claro que, por se tratar de um trabalho criativo que homenageia e flerta com outros trabalhos, há no Mikey um pouco de Rob Zombie. Digo isso mais no sentido de conceito, nem tanto quanto ao visual. Um astro de rock soa como alguém fora da realidade, um personagem fictício. E é assim que gostamos de representar o Mikey na história, como um sujeito que se desconectou da nossa realidade”, explicou.
 
 
Bressan, que dá aulas de desenho em estúdio em Piracicaba, atua no mercado americano desde 2012 e já ilustrou para a DC Comics as revistas do Monstro do Pântano, Esquadrão Suicida, Batman e Robin e Lanterna Verde: Novos Guardiões. Ele contou, entretanto, que Birthright é seu melhor trabalho. “Passo horas nas páginas, pesquiso muito antes de fechar uma edição. Sempre quis fazer isso e é essa a chance”, comentou o desenhista.
 
 
VOCAÇÃO — Bressan falou que foi durante a infância que começou o “vício” por gibis. “Na época, meu pai comprava um gibi se eu fosse à missa aos domingos e me comportasse”, relatou. Ele também comentou que as aulas de história da arte que teve com o professor Cássio Padovani o possibilitaram a identificar a relação das imagens e conteúdos, ao olhar para a arte clássica procurando vincular o significado com as leituras de quadrinhos, como ele mesmo exemplifica, “cruzando Michelangelo com X-Men”.