Humanização na saúde ganha adeptos entre os médicos

A humanização no atendimento aos pacientes é uma das correntes de pensamento da Medicina que está ganhando cada vez mais adeptos no mundo e também em Piracicaba. Os usuários do sistema público e dos planos de saúde não são vistos apenas como números e os médicos não atuam apenas para aliviar a dor, mas se aprofundam nas causas que levaram ao adoecimento dos usuários. É uma visão mais holística, para enxergar o ser humano como um todo. E esse tema é mais atual do que nunca hoje quando se comemora o Dia Mundial da Saúde.
 
Entre tantos profissionais da cidade que seguem esta linha está o médico José Márcio Zveiter de Moraes, 58, que atua no pronto atendimento, na emergência e na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital da Unimed, além de ser diretor institucional, integração e fomento ao cooperativismo da Unimed Piracicaba.
 
Segundo o médico, a intenção é resgatar o lado humano da medicina. “Estamos tentando cuidar da pessoa que está sofrendo, não só do doente, mas em sua dimensão humana”, explica o médico. Formado em 1984 – portanto há 34 anos -, disse que faz isso intuitivamente há algum tempo. Moraes foi na contramão da sua formação, porque, há três décadas, a visão era que o médico deveria separar as emoções da razão, não deveria se envolver e nem desenvolver empatia com o paciente para poder tratá-lo. 
 
Essa corrente mais humanizada já existia na época, mas Moraes disse que não era preponderante e nem dominante. Havia o predomínio e destaque maior para a parte técnica. Mas Moraes defende o foco maior na humanização, de ouvir as queixas do paciente, analisar o contexto social e familiar em que está inserido, avaliar quais os fatores contribuíram para que adoecesse, considerando os pontos de vista psicológico, físico, orgânico, sem descuidar da parte espiritual.
 
Moraes disse que trabalha com terapia intensiva e tem de tratar as demandas físicas imediatamente, mas como lida com seres humanos, se preocupa em dar atenção ao paciente, valorizar o toque, o afeto, a empatia, ou seja, se coloca no lugar do paciente que enfrenta momentos de angústia, além de ser submetifo a medidas invasivas, agressivas e de risco para tentar salvar sua vida. “É importante a humanização, algo que se busca e se fala, do resgate da educação, da gentileza, de fazer parte do autoconhecimento e oferecer para as pessoas, se colocando no lugar do outro, para desenvolver essa capacidade”, resume o médico. 
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