Igreja Católica explica como funcionam as transferências de padres

As transferências de padres de paróquias são uma praxe comum na Igreja. Na diocese de Piracicaba e em muitas dioceses do Brasil, as transferências acontecem todos os anos, especialmente no final de um ano civil e no início de outro. 
 
De acordo com o padre Kleber Fernandes Danelon, as transferências podem acontecer pelos mais variados motivos. “Os padres podem pedir ao senhor bispo para serem transferidos, o bispo, tendo em vista o bem das almas e as necessidades da Igreja, pode solicitar a transferência de seus padres, ou, ainda, algum impedimento e/ou outra necessidade maior pode levar às transferências de padres”, explicou. 
 
De acordo com o religioso, o que fundamenta essa autoridade do bispo em transferir os seus padres “é o múnus (fundamentação legal) do qual ele é revestido através do sacramento da Ordem no grau do episcopado, pela autoridade do Papa e da Igreja, mas também por sua paternidade espiritual”.
 
No entanto, as leis da própria Igreja esclarecem sobre o porquê das transferências de padres numa diocese: o Código de Direito Canônico determina que “se o bem das almas ou a necessidade ou utilidade da Igreja já exigirem que o pároco seja transferido de sua paróquia, que dirige com eficiência, para outra paróquia ou outro ofício, o bispo proponha-lhe a transferência por escrito e o aconselhe a consentir, por amor a Deus e às almas”, como está especificado em cânon 1748 do Código de Direito Canônico. Segundo as leis da Igreja, as transferências podem ser voluntárias ou forçosas, isto é, com o consentimento dos sacerdotes ou contra sua vontade.
 
As transferências sempre são oportunidade de renovação para os próprios sacerdotes, mas também para as comunidades paroquiais, exigindo por vezes um espírito de sacrifício e obediência. “Quando são necessárias, as transferências de padres não são feitas por simples vontade do bispo, mas, muitas vezes até mesmo podem acontecer quase a seu contragosto, motivadas pela necessidade e o bem das almas. Em tudo, sobremaneira, o que motiva o bispo é a necessidade e o bem das almas, a utilidade da Igreja e a maior glória de Deus”, concluiu.