Compra de armas aumenta 49% em 2017, segundo a PF
Cristiani Azanha
03/01/2018 16h11
A procura pelo direito à posse de armas de fogo legalizadas aumentou 49% em 2017, em comparação com o ano anterior, segundo levantamento da Delegacia da Polícia Federal de Piracicaba. Foram 152 aquisições ante 102 no período anterior. Em regra, qualquer pessoa pode ter uma arma para reforçar a segurança em casa ou na empresa, mas jamais pode portar a arma na rua, com exceção as pessoas que trabalham em funções de segurança. 
 
O delegado da Polícia Federal de Piracicaba, Florisvaldo Emílio das Neves, disse que apesar de não ser proibido para a maioria das pessoas, a atual legislação desencoraja possuir uma arma em casa ou na empresa, pois em algumas situações pode trazer ainda mais vulnerabilidade e até pode contribuir para causar a morte do proprietário da arma.
 
O número de registros de armas emitidos em 2017 também teve acréscimo de 6,3%. Foram 1.305 emissões contra 1.227 no período anterior. Neves explicou que apesar de em regra ser permitido pela lei, nem sempre as pessoas conseguem concluir todos os estágios para conseguir ter a posse. Ele advertiu que antes mesmo de comprar a arma, é necessário que o candidato primeiro dê entrada na documentação e passe por todos os exames. “Somente depois de concluir todas as etapas, o cidadão terá finalmente a autorização para comprar a arma”, afirmou o delegado.
 
Alguns requisitos para conseguir a documentação necessária são: ter idade mínima de 25 anos; elaborar uma declaração por escrito expondo os fatos e circunstâncias que justifiquem o pedido de aquisição de arma de fogo, demonstrando a efetiva necessidade; comprovar idoneidade, apresentando certidões negativas criminais fornecidas pela Justiça Federal, Estadual, Militar e Eleitoral e comprovar, também, não estar respondendo a inquérito policial ou processo criminal; trabalho lícito; aptidão psicológica, que deverá ser atestada por psicólogo credenciado pela Polícia Federal, capacidade técnica, que deverá ser atestada por instrutor de tiro credenciado pela Polícia Federal, entre outros. 
 
“Nem sempre ter uma arma em casa impede um roubo, por exemplo. O criminoso tem ao seu lado o fator surpresa. Uma pessoa que tem uma arma, a menos que ela esteja ao lado do corpo não terá tempo hábil de pegá-la antes da abordagem. Dependendo do caso, o criminoso pode atirar primeiro e roubar a arma. Mesmo quando há o disparo, ainda que em regra seja em legítima defesa, assim como acontece com os policiais, há um processo de investigação, cujo o responsável ainda pode responder pelo excesso e ainda enfrentar um Tribunal do Júri. Ou seja, tudo isso dá uma falsa sensação de segurança”, orientou o delegado. Por esse motivo, segundo ele, a legislação é rigorosa, em alguns aspectos, para que a posse efetivamente seja realizada nos casos em que realmente justifique tal conduta.
 
DESARMAMENTO — Em 2017, mais pessoas entregaram armas durante a Campanha do Desarmamento. Sessenta e nove entregaram as armas, contra 60 no ano anterior, representando um aumento de 15% nas entregas, segundo a PF. Assim que são recebidas, as armas de fogo são inutilizadas, por meio de prensa, já no momento em que são recebidas durante a campanha.