Inacreditável: Doria manda recolher material de ciências

O governador João Doria mandou recolher, nesta terça-feira, 3 de setembro, material didático do 8º ano que, segundo ele, continha um “erro inaceitável”, conforme postou no Twitter. Esse “erro” estaria em um texto que explicava as diferenças entre “sexo biológico, identidade de gênero e orientação sexual”. Doria, no Twitter, afirmou que não aceitaria “apologia à ideologia de gênero”.

Caro governador, inaceitável é um LGBT morrer a cada 20 horas no Brasil. Inaceitável é a desigualdade entre homens e mulheres persistir. Inaceitável é o feminicídio, que no país tem uma taxa 74% superior à média mundial. Inaceitável é a desigualdade entre homens e mulheres persistir. Inaceitável é o feminicídio, que no país tem uma taxa 74% superior à média mundial

Discutir a diversidade é preparar gerações para um futuro sem ódio. A ideologia de gênero sequer existe. Você e seu ídolo Jair Bolsonaro utilizam essa expressão na tentativa de confundir a população e privá-la do direito ao conhecimento, ao debate e à vida em uma sociedade em que diversos grupos possam se relacionar de maneira respeitosa e na plenitude de seus direitos.

Na mensagem postada na rede social o Governador escreveu: “Fomos alertados de um erro inaceitável no material escolar dos alunos do 8º ano da rede estadual. Solicitei ao Secretário de Educação o imediato recolhimento do material e apuração dos responsáveis. Não concordamos e nem aceitamos apologia à ideologia de gênero.”

O conteúdo do texto criticado não faz apologia a qualquer ideologia ou gênero específico. Em nota, a Secretaria de Educação do Estado afirma que o tema da identidade de gênero “está em desacordo com a Base Nacional Comum Curricular, aprovada em 2017 pelo Ministério da Educação, e também com o Novo Currículo Paulista, aprovado em agosto de 2019”.

Porém, a Base Nacional Comum Curricular deixou no tema em aberto – cabendo a estados e municípios decidirem o que fazer. Nós é que consideramos inaceitável um Governador considerar normal fazer apologia política de si mesmo em materiais pedagógicos, mas censura um conteúdo educativo necessário para a formação dos nossos estudantes. Discutir a diversidade é preparar gerações para um futuro sem ódio.