Influências, escolhas e atitudes

Nas experiências da vida somos permanentemente influenciados pelas pessoas com quem convivemos, pelas informações recebidas e pelas mais diversas circunstâncias, ao mesmo tempo que influenciamos os outros, intencionalmente ou não. Somos, continuamente, receptores, transformadores e emissores de ideias, propostas e sugestões, o que nos torna corresponsáveis pelo volume de informações que circula no mundo, bem como pelo seu uso e aplicação na construção da realidade externa.

À medida que tomamos consciência do quanto somos influenciados, ao mesmo tempo que influenciadores, com as consequências éticas decorrentes desse processo, somos motivados a prestar mais atenção ao conteúdo das informações que escolhemos obter e compartilhar, bem como às situações, relacionamentos e atividades dos quais decidimos participar. Nossa vida costuma ser tão mecânica e automática que é realmente difícil estarmos conscientes do que nos acontece e do modo como interpretamos e processamos, sejam informações ou experiências diversas.

Em relação a qualquer área da vida, podemos nos perguntar quantas vezes medos, conveniências, interesses pessoais ou desejos condicionam nossas atitudes e ações. Até que ponto, ao realizarmos alguma escolha ou tomarmos certa decisão, estamos simplesmente reproduzindo padrões induzidos pela propaganda, por modismos, cedendo a imposições religiosas, ideológicas ou a convenções sociais, desse modo afastando-nos da nossa verdadeira essência e deixando de respeitar a nós mesmos?

A cada escolha e compartilhamento de informações, assim como em cada relacionamento vivenciado e ação praticada, estamos dando nossa parcela de contribuição, positiva ou negativa, ao mundo em que vivemos, pois nunca somos neutros nem isentos de responsabilidade, o que parece de certo modo esquecido nos tempos atuais de pressa e irreflexão, assim como de divulgação imediata e muitas vezes indiscriminada de notícias e comentários sobre quase tudo.

Até certo ponto é possível, e desejável, que sejam selecionadas e escolhidas, para si e principalmente para quem esteja sob sua responsabilidade, como no caso das crianças, informações e influências que se mostrem as mais educativas, corretas e úteis, favorecendo aos mais jovens uma experiência de vida mais plena, tanto quanto possível livre de manipulações e de influências nocivas.

A visão que se tem de mundo, dos fatos e circunstâncias, e o conjunto de valores que se possui, certamente repercutem nas próprias escolhas e opções, assim como naquilo que se divulga e oferece aos outros. Condicionamentos e preconceitos arraigados, ideias cristalizadas, medos e conflitos, com certeza prejudicam o discernimento e a capacidade de escolha, limitam e distorcem a percepção, os relacionamentos e as ações. Daí a importância do autoconhecimento como parte de um processo de educação integral, a fim de se poder reconhecer em si mesmo os fatores limitantes e perturbadores que o acompanham, muitas vezes de modo inconsciente.

O conhecimento de si mesmo, das relações com fatos, circunstância e pessoas, realizado do modo mais livre e abrangente possível, pode ser ferramenta útil na libertação das mais diversas formas de limitação, constrangimento, receios, conflitos e sujeição a influências negativas, o que inevitavelmente se reflete não apenas em si mesmo, mas também nos grupos e no mundo em que se vive.