Investigação de morte por febre amarela segue sem resolução

Após 55 dias da confirmação da primeira morte por febre amarela no ano em Piracicaba, as causas da infecção ainda não foram divulgadas pelo departamento de Vigilância Epidemiológica do Estado de São Paulo, que investiga o LPI (Local Provável de Infecção) e que não deu prazo para concluir este processo. “O tempo de investigação de LPI varia a cada caso, portanto não é certo falarmos de ‘demora’ para divulgação de laudos, uma vez que o caso segue em investigação”, informou, em nota, o órgão estadual, ao ser questionado pelo JP.
 
A vítima da febre amarela foi Joarez Bento, 31, morador do bairro Chácaras Nazareth II. Na época, a Secretaria Municipal de Saúde informou que o paciente apresentou início de sintomas no dia 22 de janeiro e, “dentre os possíveis diagnósticos levantados estavam leptospirose, dengue, febre amarela e febre maculosa”, tendo em vista que estas doenças têm sintomas semelhantes. O paciente faleceu no dia 25 daquele mesmo mês. Na região onde Joarez morava já foram realizadas todas as ações de bloqueio pela prefeitura e nenhum outro caso da cidade está em investigação.
 
 
Em entrevista exclusiva ao JP, na época, o irmão de Joarez, Nilson Bento, 43, afirmou que a família estava preocupada com a situação, porém não reclamou do atendimento prestado pelo SUS e Santa Casa. “Sobre o atendimento na UPA, não dá para reclamar ele foi bem atendido, medicado e liberado. Ele chegou a ficar bom, porém, dias depois voltou a ter os sintomas com mais intensidade, motivo pelo qual foi levado à Santa Casa. Infelizmente ele morreu um dia depois”, relatou ele, ao lembrar que o irmão esteve em um pesqueiro no bairro Nova Suíça alguns dias antes de apresentar os sintomas da doença.
 
 
VACINAÇÃO — Balanço da Secretaria de Estado da Saúde aponta que, em menos de quatro meses, 7,5 milhões de paulistas foram vacinados contra febre amarela, em todo o Estado. A imunização foi ampliada, em 2018, por meio de uma campanha inédita e que envolveu 54 cidades definidas como “área de risco” para doença. O balanço representa 58,8% do público-alvo, de 9,2 milhões de paulistas. As 26 cidades da região de Piracicaba ainda são as únicas fora do mapa de proliferação da febre amarela. “De 2017 até o momento houve 479 casos autóctones de febre amarela silvestre confirmados no Estado e 176 deles evoluíram para óbitos. Não há casos de febre amarela urbana no Brasil desde 1942”, explica o Estado.
 
A doença ocorre em pessoas não vacinadas, febril aguda, de início súbito, com icterícia, em pessoas procedentes de áreas de risco para febre amarela ou de locais com ocorrência desta doença em macacos, que são os importantes sentinelas para a identificação da doença na localidade.