IPVA menor, um sonho

A tabela de valores venais dos veículos teve queda nominal de 3,34%, o que significa que o dono de veículo vai pagar menos IPVA (Imposto Sobre a Propriedade de Veículos Automotores) no ano que vem, que por sinal já está no portal da nossa casa. A notícia é boa, com certeza, mas ainda não é suficiente para impactar de forma mais convincente o pacote de despesas que todo brasileiro enfrenta entre final de um ano e começo de ano. São tantos impostos e outras demandas, que a maioria nem vê a passagem do décimo terceiro salário pela conta corrente. Aliás, dá para comparar o décimo terceiro ao cometa Harlley, que passa pela Terra entre setenta e quatro e setenta e nove anos. A última vez que tivemos a possibilidade de vê-lo foi em 1986.

Sobre a redução do IPVA, o leitor terá mais informações na matéria publicada na página A 5, mas sobre o cometa terá que recorrer à memória dos mais velhos ou ao Google. Contudo, o IPVA é apenas um dos diversos compromissos, que os brasileiros são forçados a assumir, assim como IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano), matrícula de escola, material escolar, seguro, Imposto de Renda, além é claro de pedágios, estacionamento, segurança particular, etc.

Para quem tem empresa, os custos são elevadíssimos e para quem é trabalhador, a situação não é melhor, ao contrário de países onde o recurso público é bem utilizado. Nós, brasileiros, pagamos duas vezes por diversos serviços, uma para o Poder Público e outra para o privado, para nos fornecer os serviços que deveríamos receber em contrapartida aos nossos impostos, como educação de qualidade, saúde, ruas asfaltadas, segurança e serviços públicos de qualidade. Contudo, isso não é lá uma realidade.

É comum se dizer que ao se comprar um veículo, você terá que sustentar uma segunda família, porque os custos do mesmo são consideráveis, por isso, muitas pessoas estão optando por não ter carro ou moto. Daí, vem outro problema, o transporte público que não é de qualidade. Então, quando se reduz o IPVA a gente até comemora, mas não chega a pular de alegria, porque em seguida, para numa bomba de combustível ou no pedágio e percebe que é pouco, tão pouco que a animação cessa, na mesma hora.

 

(Alessandra Morgado)