Isenção e combate ao crime organizado

delegado Entrevistado fala de sua vida e do bom momento vivido pela Polícia Federal em todo o país. (Foto: Claudinho Coradini/JP)

O delegado da PF (Polícia Federal) Rodrigo de Campos Costa, 40 anos, assumiu o comando da delegacia em Piracicaba há seis meses. Nascido em Itapetininga, no dia 19 de abril, ele é filho do casal José Leopoldino da Costa e Maria Helena de Campos e pai de Helena, Glória e César, o policial é formado em direito pela Fundação Karnig Bazarian, de Itapetininga, com especialização, mestrado e doutorado em direito penal e processo penal na Puc São Paulo. Há 16 anos na Polícia Federal, Costa já atuou no combate ao crime organizado, em operações especiais, tanto na execução como na coordenação, além de desempenhar cargos de chefia, como o que ocupa em Piracicaba.

Para ele, a Polícia Federal vive um momento positivo com atuações em todo o país, revelando um processo de amadurecimento. O policial atribui esse protagonismo no cenário jurídico nacional, ao enfrentamento do crime organizado à isenção nas investigações. Campos disse que a instituição não serve a A ou B e reforça que a PF é uma polícia de estado e não de governo trabalhando a verdade – segundo ele – “doa a quem doer”. Costa substituiu o delegado Florisvaldo Emílio das Neves, que estava à frente da PF em Piracicaba desde 2010.

O delegado elogiou a especialização do efetivo de Piracicaba, disse que como gestor pretende ampliar o setor de recursos humanos e tem se empenhado para que a PF se mude para outro prédio, com melhores condições de atender às necessidades da instituição e à população. Campos disse que está em fase de transferência para um prédio localizado no bairro Nova Piracicaba. A mudança, segundo o diretor, a parte burocrática da mudança será concluída ainda este ano, enquanto a transferência para a nova sede deve acontecer no primeiro semestre do próximo ano.

Campos disse que o prédio atual usado pela PF localizado na rua Liberato Macedo, no bairro São Dimas,é pequeno e as instalações são precárias, por isso a necessidade de um espaço maior.
Costa destacou o potencial econômico da região, fato que coloca a delegacia da Polícia Federal de Piracicaba como a terceira em emissão de passaportes no Estado de São Paulo. De acordo com os dados da delegacia, no ano passado foram emitidos 40.082 passaportes, uma média mensal de 3.340 unidades. Neste ano, de janeiro a outubro a delegacia contabilizou 36.414 passaportes totalizando uma emissão de 3.341 documentos por mês. Por outro lado, o policial aponta o contrabando de cigarros e o tráfico de entorpecentes como os crimes mais comuns na cidade e região. De acordo com a Receita Federal, de janeiro a agosto deste ano foram apreendidos 2.120 milhões de maços de cigarros contrabandeados na cidade. Segundo informações do órgão federal, grande parte do produto falsificado vem do Paraguai.

Quando não está atuando na delegacia da PF em Piracicaba, Costa – que também é professor de jiu-jitsu – utiliza a arte marcial como forma de relaxar e aliviar o estresse do dia a dia. Na tarde da última quinta-feira ele recebeu a reportagem do Jornal de Piracicaba e concedeu uma entrevista para a seção Persona.

Qual a função da Polícia Federal e em quais situações ela atua?

Aqui na Região de Piracicaba a Polícia Federal atua em duas frentes a gente tem a polícia administrativa e a judiciária. A polícia administrativa envolve a polícia de migração , emissão de passaportes, concessão de vistos, naturalização de estrangeiros. A gente tem também no âmbito de polícia administrativa temos o registro de armas, o porte de arma, e a parte de fiscalização de empresas de segurança privada e produtos químicos. E a parte de polícia judiciária, diz respeito à parte de investigação de crimes cometidos contra bens, interesses e serviços da união. então aqui em Piracicaba, a Polícia Federal tem essas duas linhas de investigação: administrativa e judiciária.

O senhor veio da Capital paulista para uma cidade do interior, o que percebeu de peculiaridades na delegacia da PF em Piracicaba comparando com o trabalho desenvolvido pelo senhor na Capital?

Em São Paulo eu tinha a visão macro do Estado , a minha função lá era coordenar a parte operacional do Estado, de São Paulo, então e uma das minhas funções era dar as diretrizes operacionais para o Estado. Aqui agora tenho uma visão micro, eu olho só para minha região, que é Piracicaba que abrange uma reunião de 24 municípios. A logística aqui que eu emprego aqui é menor, frente a que eu tinha no Estado que eu tinha que olhar por inteiro. Aqui eu olho só a região de Piracicaba.

Quais ocorrências o senhor destaca como sendo mais comuns em Piracicaba e região?

Contrabando de cigarros, tem um número relativamente alto, tráfico de entorpecentes e a gente tem um índice elevado de crimes de sonegação fiscal.

Com base em sua experiência na Capital, o senhor já esperava essa realizada aqui em Piracicaba?

Sim, porque quando eu estava em São Paulo, eu tinha que conhecer as realidades dos municípios , das delegacias que compõem o estado de São Paulo. porque eu deveria ter a visão macro do Estado, olhava para o estado inteiro e mesmo assim eu tinha que saber qual era a realidade de cada região. Então quando eu vim para cá eu já sabia qual era a realidade da região, Óbvio que quando eu vim para cá, fui conhecer a cidade, as autoridades, as peculiaridades da cidade , então só confirmou aquela visão que eu tinha em São Paulo, quando eu vim para cá essa visão se
confirmou.

Qual a sua trajetória na Polícia Federal?

Eu entrei por concurso público em 2002, fiz academia em 2003, no 20 curso de formação profissional, tomei posse em Foz do Iguaçu, foi minha primeira lotação e fiquei lá por dois anos e meio . Fui removido para São Paulo através de concurso de remoção, fiquei um tempo em São Paulo. De lá fui transferido para Sorocaba, de sorocaba voltei para Foz do Iguaçu , mas quando eu voltei para lá foi para exercer um cargo de chefia, que era de delegado executivo, fiquei quase três anos , voltei para São paulo como delegado regional de combate ao crime organizado . Ao longo da minha carreira, nos primeiros dez anos, eu trabalhei bastante com operações especiais, operações de inteligência especial. tive o privilégio de participar d grandes operações da Polícia Federal tanto executando operações como na coordenação de operações e depois eu passei a assumir cargos de chefia, de gestão e a função do gestor é executar atividades policiais é dar meios para que a atividade fim seja executada.

Por sua experiência o senhor prefere atuar em cargos de gestor ou atuando diretamente em operações?

Acho que são momentos que a gente tem na carreira. Eu estou muito feliz de estar chefiando a delegacia de Piracicaba, eu fui muito bem recebido no município, pelos colegas, então missão dada é missão cumprida. Se eventualmente eu tiver que voltar a operar, eu volto com maior prazer, enquanto sou chefe, eu gosto aqui da chefia.

O senhor está aqui há seis meses, já tem projetos propostas para a Polícia Federal em Piracicaba?

A gente tem um plano de tentar mudar de prédio porque as nossas instalações aqui são precárias, é um prédio pequeno, a prefeitura que nos auxilia. Temos em andamento a aquisição de um prédio novo, no bairro Nova Piracicaba, que vai atender as necessidades da Polícia Federal e a gente vai conseguir prestar um bom serviço á população

Com relação aos recursos humanos, eles são suficientes para a atuação da PF?

O efetivo que temos aqui é pequeno, mas é um efetivo fortemente especializado, então diante da especialização e da capacidade operacional que eu tenho aqui, é um bom efetivo, óbvio que como gestor eu sempre tenho que buscar mais. Mas o efetivo aqui é um bom efetivo, especializado.

Com relação à emissão de passaportes, qual sua análise do número de documentos emitidos? Por ser uma delegacia do interior paulista e por atender mais de 20 cidades, qual sua avaliação?

O atendimento ao passaporte aqui é realizado no shopping a nossa agenda está tranquila, mas nós somos uma das três delegacias do Estado de São Paulo que mais emite passaportes.

Isso se dá por ser uma delegacia regional?

Seguramente. A região aqui é economicamente rica, nós temos municípios como Rio claro, Americana e Limeira que são municípios que têm uma capacidade financeira boa, com isso as pessoas acabam viajando mais. Piracicaba também é uma cidade rica, muito boa, uma cidade próspera então isso faz com que aumente a procura pela emissão de passaporte.

Nos últimos anos a Polícia Federal, por conta das ações realizadas por conta das questões que envolvem a lavagem e desvio de dinheiro, a PF vem sendo destaque no trabalho de investigação e prisões. Como o senhor analisa esse trabalho da polícia em paralelo ao da Justiça?

A Polícia Federal vem num processo de amadurecimento ao longo dos anos, a nossa grande identidade da polícia , nós temos mostrado a nossa especialidade em investigar, nós nos profissionalizamos na investigação materializada no inquérito policial e essa profissionalização da Polícia Federal em investigações policiais nós estamos colhendo os frutos agora nos últimos dez anos . É um processo e hoje – seguramente – a Polícia Federal é protagonista no cenário jurídico nacional especialmente no enfrentamento ao crime organizado, mas isso vem de um processo de seleção do próprio concurso público, de formação do policial na Academia nacional de Polícia e de‘pois de formado, também os cursos que temos à disposição dos policiais , seja em área de crime organizado, tráfico de entorpecentes , pedofilia, crimes previdenciários, assalto a banco tráfico de armas, então esse processo de especialização e sobretudo de assumirmos a nossa identidade. A identidade da Polícia Federal é uma identidade investigativa, a nossa especialidade é essa: é investigar e isso a gente tem mostrado um bom resultado à sociedade.

Todo esse trabalho citado pelo senhor e o know how que a PF vem demonstrando, reforça o reconhecimento como instituição perante a sociedade?

Acho que a gente tem dado provas que a Polícia Federal é uma polícia de estado e não de governo e atua de maneira isenta, ela não adota lado A ou B , o nosso compromisso é com a verdade de ser possível de ser atingida dentro de uma investigação policial. As nossas investigações, desde um pequeno inquérito cuja lesão seja mínima, a um inquérito que seja investigação de uma grande ação criminosa, a gente demonstra os fatos que efetivamente ocorreram doam a quem doer, esse o nosso compromisso, o compromisso da Polícia Federal é com a verdade e não com A ou com B. É isso que a gente tem de de demonstrar e estamos demonstrando, quando o fato ocorrer nós demonstramos, se não ocorreu a gente demonstra que não ocorreu.

Essa isenção que o senhor citou, inclusive se refere ao Governo Federal?

Nas investigações da Polícia Federal se o fato foi demonstrado a gente trabalhou no inquérito, seja acusando A. B ou , insisto, a POlícia Federal é uma polícia de estado, não de governo. E o compromisso que nós temos é com a verdade, doa a quem doer.

A Operação Lava-jato atingiu desde o governo até empresários em todo o território nacional. Aqui no interior paulista, essas investigações respingaram aqui em Piracicaba e região?

Houve alguns mandatos de busca e apreensão no interior de São paulo, agora especificamente aqui na região de Piracicaba eu não me recordo se houve mandados.

O senhor pode citar algumas operações da Polícia Federal que o senhor atuou?

Sim, foram várias, operação Avalanche, Poeira no Asfalto, Alquimista, Linha Cruzada, foram mais de 15.

Essas designações dadas às operações, que causam efeito, como são criados esses nomes?

Em conversa com os colegas, a gente começa a conversar e tenta achar um nome que encaixe , que tenha ligação com a investigação, basicamente é isso. Houve uma época que eram nomes bíblicos, depois nomes ligados à mitologia grega, eventos naturais , isso vai depender do colega que está coordenando a operação, conversando com a equipe aí ele indica um nome.

A Polícia Federal também atua nas eleições. Como está em Piracicaba, o trabalho nesses dois pleitos?

Aqui em Piracicaba as eleições estão bem tranquilas, as denúncias que chegaram sobre problemas nos equipamentos no primeiro turno, foram investigados e indica que foi erro do eleitor no momento de registrar o voto. Houve apenas uma ocorrência de material irregular, que foi recolhido.

Rodrigo de Campos Costa, 40 anos de idade, é o novo delegado e diretor da Polícia Federal, de Piracicaba. Ele substituiu Florisvaldo Emílio das Neves, que estava nesta função desde 2010. Neves permanecerá na cidade como responsável pelas Operações da PF e substituto direto de Rodrigo Costa, quando for necessário.

(Beto Silva)