Jardim Botânico

O piracicabano pode se sentir privilegiado. Convive diariamente com belezas naturais, como o rio Piracicaba e muitas áreas com manchas verdes preservadas. É claro que ninguém nega a degradação ao meio ambiente na cidade, por causa da ganância humana. E a cidade tem muitos ambientalistas abnegados, que são considerados referência nacional. Vide o Consórcio da Bacia dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, que é considerado referência mundial na área de preservação dos recursos hídricos.
 
Mas, agora, a Secretaria de Defesa do Meio Ambiente anunciou a transformação de três áreas de 86 hectares em um Jardim Botânico. A tarefa será hercúlea e é um projeto para três mandatos. Serão necessários dez anos para concluir o projeto. A intenção desta iniciativa é catalogar 40 mil espécies. 
 
Em solenidade realizada ontem, a prefeitura iniciou a criação do Jardim Botânico, com a assinatura do decreto que regulamenta o espaço. Agora, um grupo interdiscipliar elaborará um plano de trabalho para viabilizar convênios com os setores público e privado, para obtenção de recursos técnicos e financeiros para formação do jardim. Estão incluídos no projeto o Parque do Engenho Central, o Viveiro Municipal, no Santa Rita, e o Parque Natural, em Santa Teresinha. 
 
Apesar do anúncio ontem, a prefeitura ainda não informou o investimento e nem o orçamento para tirar a proposta do papel. Por enquanto o município não dispõe de dotação para executar as obras e nem emendas parlamentares destinadas a tais projetos. 
 
A intenção é catalogar a flora existente nas áreas e que as escolas realizem visitas monitoradas nesses espaços. Prefeituras da região, como Americana, que possui um Jardim Botânico, e Santa Bárbara d’Oeste, que realiza projetos de educação ambiental, já colheram bons frutos nesta área.
 
O anúncio veio em boa hora. Em primeiro lugar porque Piracicaba precisa, de fato, preservar, ampliar e diversificar suas áreas verdes, para se contrapor à expansão urbana. Por outro lado, pode ajudar a desenvolver a pesquisa. Em terceiro lugar, pode servir de base para projetos de educação ambiental. 
 
De fato, o prazo de dez anos para formação dos parques é bem longo. Mas cabe lembrar que tudo, em meio ambiente, deve ser pensado em longo prazo. A população deve, de fato, fiscalizar o cumprimento das etapas e contribuir para que o projeto não fique apenas na prancheta dos idealizadores.