José Fernando Seifarth:defensor das leis e amante da música

Fora do horário de trabalho, magistrado gosta de estar com a família, correr, tocar violão e guitarra. (foto: Claudinho Coradini/JP)

O juiz eleitoral José Fernando Seifarth de Freitas, 51 anos, nasceu em São Paulo, filho do casal Alberto e Maria Anonieta. Ele é irmão do engenheiro Carlos Alberto e da arquiteta Elizabete Maria. Ele contou que conheceu a esposa, a promotora de Justiça, Maria Christina Marton Correa Seifarth de Freitas na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.
O casal planejava, ainda durante o namoro, seguir as carreiras jurídicas (ele Magistratura, ela Ministério Público), se casar e se estabilizar no interior de São Paulo. O sonho profissional tornou-se realidade e o casal viu em Piracicaba o lugar ideal para viver, criar filhos e também para trabalhar.

‘Uma comarca bem organizada e estruturada, com bom relacionamento entre juízes, promotores de justiça e advogados’, resume o pai de Giulia (21) e Vitória (16)
Seifarth é formado em Direito pela Universidade de São Paulo e faz especialização em Direito de Família na Universidade de Coimbra, Portugal.
Ele foi procurador do Estado por um breve período em 1993 até ingressar na magistratura, em julho do mesmo ano. Começou como juiz substituto em Pirassununga, e depois foi removido para a circunscrição de Amparo. Atuou como juiz titular em Itirapina, Tatuí e Rio Claro, antes de vir para Piracicaba.

O juiz também lecionou Direto Processual Civil no curso de graduação da Faculdade de Direito de Rio Claro (Claretianas) e no curso de especialização de Direito Civil e Processual Civil na Unimep (universidade Metodista de Piracicaba) e é autor do livro “Dano Moral – Doutrina, Jurisprudência e Legislação”, em co-autoria com José Antônio Remédio e José Júlio Lozano Júnior, publicado pela Editora Saraiva, em 2000.

Fora do horário de trabalho, Seifarth gosta de estar com a família, de ler, ir ao cinema, de correr e tocar violão e guitarra.
Nesta semana, ele respondeu, por email, às questões da reportagem do Jornal de Piracicaba para a coluna Persona.

O senhor atua na Justiça Eleitoral há quanto tempo em Piracicaba e por que escolheu essa área?

O cargo de juiz eleitoral é ocupado por juízes estaduais, cumulativamente com seus outros cargos. A designação é feita por rodízio pelo E. Tribunal Regional Eleitoral, pelo prazo de 2 anos, de modo que o juiz presida uma eleição. Fui juiz eleitoral por algumas vezes ao longo da carreira, em Serra Negra (onde passei como juiz substituto), Tatuí e Rio Claro. Exerço a atividade desde o início de 2018, presidi a eleição no ano passado e ficarei até o início de 2020, quando será designado outro magistrado, que será o responsável pelas eleições municipais.

Como o senhor avalia o processo eleitoral no Brasil do ponto de vista da tecnologia, em comparação a outros países?

Não conheço os sistemas eleitorais de outros países, porque atuei esporadicamente na justiça eleitoral ao longo de toda minha carreira. Já li, todavia, artigos em que se afirma que o nosso sistema é modelo para outros países e um dos melhores do mundo. Posso dizer , pela experiência que tive, que o nosso sistema de urna eletrônica é excelente.

Sempre se ouve queixas e questionamentos quanto a segurança do processo eleitoral no Brasil, principalmente em ano em que há pleito, como o senhor avalia essas insinuações? Elas têm cunho político?

Faz parte da democracia fazer críticas. De qualquer modo, o sistema da urna eletrônica brasileira, na minha opinião, é seguro e eficiente. A urna eletrônica foi implantada nas eleições brasileiras de 1996. A tecnologia foi desenvolvida pelo próprio Tribunal Superior Eleitoral. No período de eleições, os juízes eleitorais fazem auditorias públicas, sempre com a participação de integrantes de partidos políticos, Promotor eleitoral e qualquer interessado. Também é possível conferir o Boletim de Urna (BU) ao final da votação e confrontá-lo com os dados publicados na internet pelo TSE.
A urna eletrônica, ademais, não é vulnerável a ataques externos, como algumas pessoas imaginam.
Aliás, o TSE disponibiliza, em seu site, informações bem completas sobre o sistema eletrônico de votação.
Nas últimas eleições, ocorreram reclamações a respeito de irregularidades nas urnas eletrônicas, que não se comprovaram.

Muito se fala em voto consciente, qual a sua definição sobre votar conscientemente, o brasileiro tem esse perfil?

Para votar com consciência o eleitor deve conhecer as propostas e a história do candidato. Acredito que, cada vez mais, o brasileiro está agindo desta forma, inteirando-se do histórico do seu candidato, acompanhando as notícias pela imprensa. Atualmente, as informações são mais rápidas e acessíveis.

Além de atuar no Judiciário o senhor tem outra atividade, podemos definir a música para o senhor como uma segunda atividade ou lazer?

Tenho a música como um hobby, que exerço após o meu expediente, finais de semana ou em períodos de férias. Mas sempre respeitei profundamente esta atividade artística e os músicos profissionais e procuro levar a sério quando me proponho a fazer música com eles. Gosto muito de compor canções, desde a minha adolescência, tocar piano, guitarra e violão. Nos finais de semana, sempre separo um tempo para estudar e tenho a orientação do excelente violonista Marcos Moraes, além de procurar aulas on-line.

Qual a sua atuação na música? Como a atividade faz parte de sua vida e desde quando?

Toco violão desde os 7 anos de idade. Meus pais sempre gostaram de música e colocaram os três filhos em contato com ela desde cedo. Nossa família acredita que a educação musical é muito relevante e sempre investiu nela. Minha irmã estudou piano, e eu e meu irmão, violão clássico, ainda quando crianças. Meu avô, que era alemão, tocava violino. Ao longo de minha vida, tive aulas de violão, piano, guitarra e contrabaixo. Toquei com vários grupos, desde os 14 anos de idade.

O senhor organiza o Festival de Jazz Manouche de Piracicaba, como surgiu essa ideia? Qual a edição do evento acontece neste ano? Como acontece o festival, quais artistas participam?

Quando me graduei em Direito (1991), foi organizada uma festa com os formandos. No evento, apresentou-se a Traditional Jazz Band, grupo no qual tocava como baterista o Cidão, pai da minha querida amiga Marcinha e sogro do meu colega de magistratura Sidney Braga. Comecei a ter contato com Cidão, que me mostrou um CD do Django Renhardt.
Fiquei apaixonado pelo jazz cigano. Eu fiquei afastado da música por alguns anos, quando ingressei na magistratura. Estressado com o trabalho, foi-me recomendado por um médico acumpulturista voltar a tocar algum instrumento musicial e a ouvir música. Passei a tocar jazz com a Tradicional Jazz Band, o que levou à fundação do Hot Club de Piracicaba, com um grupo de amigos que ama o jazz e a música. Este grupo tocava o jazz cigano de Django.
Em 2010, comemoramos aqui em Piracicaba 100 anos do nascimento de Django. Em 2013, os quatro grupos que tocavam o jazz manouche no Brasil (já eramos conhecidos) resolveram se encontrar em um evento e criou-se o Festival, um encontro anual entre amantes do jazz manouche. Piracicaba foi escolhida como o local do festival em razão da cultura ser muito praticada aqui, dos seus belos teatros e do povo apreciador e conhecedor da boa música. A partir dai, todo ano realizamos um encontro anual. Depois de 3 anos, começamos a convidar artistas estrangeiros.
Não é muito grande a comunidade de músicos que toca o jazz cigano e todos se conhecem pelas redes sociais. A produção é feita pela Empório Produções e eu ajudo a reunir os artistas. Faço isso como uma atividade cultural, pelo amor e admiração a este estilo de jazz. Neste ano de 2019, o Festival ocorrerá em outubro, no Teatro do Engenho e no SESC de Piracicaba.

Quem é o público do Festival, o senhor tem ideia do perfil, idade e de onde é esse público?

O público é variado, pessoas de todas as idades, não necessariamente amantes do jazz, e também músicos. Atualmente, vêm ao Festival moradores de outras cidades e estados, somente para acompanhar este belo encontro.

O fato de o senhor ser um jurista e estar envolvido em atividades culturais, a sua atuação como juiz sofre algum tipo de interferência? 

A música para mim é uma terapia. Ajuda-me a alcançar o equilíbrio emocional. É um hobby e não trabalho, que levo a sério, e que exercito em meus momentos de folga e de férias, sem interferir na minha atividade profissional. A música, assim, interfere positivamente em minha função de julgar.


Beto Silva
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