Jovem bailarina piracicabana faz carreira internacional

Foi na infância que a piracicabana Monike Cristina de Souza, que atualmente tem 26 anos de idade, iniciou a carreira. Aos seis, deu os primeiros passos na profissão de bailarina em escolas de dança da cidade e hoje possui no currículo apresentações em quatro continentes.
 
 
Monike vive atualmente em Joanesburgo, na África do Sul, mas já levou sua arte para países como Alemanha, Suíça, Estados Unidos, Paraguai e Rússia. Durante o recente período de férias no Brasil, contou à reportagem do Jornal de Piracicaba, no início deste mês, sobre o desenvolvimento da vida profissional.
 
 
“Fiquei em Piracicaba até os 14 anos de idade, quando comecei a fazer aulas em São Paulo e decidi que queria seguir carreira internacional. Tem que se dedicar de corpo inteiro, 24 horas por dia. Não é uma carreira fácil. Você nunca sabe tudo no balé clássico, sempre tem o que aprender, então, o ponto-chave é ter humildade. Com humildade, você vai além na carreira. Dedicação, perseverança e humildade são essenciais”, afirmou.
 
 
A jovem, que se encantou com a profissão ao ver uma apresentação de sapateado quando criança, comentou sobre as dificuldades de morar em outro país. “Agora, é mais tranquilo, mas no começo foi difícil se acostumar, principalmente com a comida e com o fato de não ter a família por perto”, contou, acrescentando que a saudade de casa é amenizada pela convivência com sete brasileiros que também fazem parte da Joburg Ballet, em Joanesburgo.
 
 
O início da carreira internacional da bailarina deu-se em uma audição em Joinville (SC). Na época, um diretor russo, conforme Monike, buscava uma dançarina negra para uma versão do balé O Lago dos Cisnes. A piracicabana foi a escolhida e passou a integrar a companhia jovem da escola Bolshoi no Brasil. “O fato de eu ser negra nunca foi um empecilho para que eu tivesse sucesso, muito pelo contrário. Existem poucas bailarinas negras, mas não é por preconceito, é pelo fato de a maioria das meninas ter o corpo mais delineado, fora dos padrões exigidos. O fato de eu ser negra e ter um corpo que me permite fazer os movimentos necessários nas apresentações só me destacou”, explicou.
 
 
Além de O Lago dos Cisnes, a jovem protagonizou uma remontagem de A Branca de Neve e agora interpretará o papel principal da peça Carmen. Ela disse que a importância da posição de destaque nas performances se torna maior pela exigência do público que assiste às apresentações. “O público da Rússia, por exemplo, entende mais da técnica. É como um brasileiro assistindo a um jogo de futebol. Eles apreciam quando o balé é muito bom e respeitam quem está começando. Diferentemente do Brasil, onde o público é mais caloroso”, falou.
 
 
Monike comentou, ainda, que a nacionalidade latina é um chamariz de pessoas para as casas de espetáculo do mundo afora. “Eles adoram a forma diferente de dançar dos brasileiros. Muitos vão assistir aos espetáculos de acordo com o elenco de dançarinos. Se quem estiver fazendo os papéis principais for um cubano ou brasileiro, o interesse aumenta”, afirmou a piracicabana, que nas férias em solo brasileiro aproveita para fazer apresentações com a Cedan (Companhia Estável de Dança) de Piracicaba.