Jovens negros fazem ato contra racismo antes de estreia de filme

A estreia do primeiro longa-metragem com herói negro no papel principal, o filme Pantera Negra, foi motivo de um ato público no Shopping Piracicaba na noite de ontem. O elenco da produção hollywoodiana da Marvel Comics tem quase a sua totalidade negra. A ideia surgiu simples, entre amigos pelo WhatsApp, e atraiu cerca de 80 pessoas para a sessão de cinema.
 
A precursora do ato é a jovem Paloma Freitas, 18, que viu a oportunidade de mostrar a importância do negro dentro das produções culturais. “É um marco termos no cinema um filme com grande elenco negro e que não se fale de escravidão. O negro não é coadjuvante é a personagem principal do filme. Ele é rei, defende seu povo com sua habilidades especiais”, disse.
 
A intenção de o ato ter sido realizado no shopping, conforme Paloma, é para combater o racismo. “Aqui é comum vermos olhares diferenciados para nós, acredito que acham que fazer algo de mal. Não somos isso que muitos acham. Estamos aqui para nos divertir e mostrar que somos todos iguais. Também somos consumidores de cultura”, completou.
 
A concentração dos amigos para a sessão de cinema começou por volta das 20h30 na praça de alimentação. De lá, saíram em caminhada e passaram pelos corredores do shopping até a chegada no segundo piso, na bilheteria do cinema, onde ocorreu um minuto de silêncio em homenagem aos negros que fizeram parte da história da cidade. Em seguida, eles entraram para a sessão cantando música do rapper Emicida, feita em alusão ao longa: “sou anti sinhozinho, independente nas track / Rato, respeita meu tempo, não seja moleque / Se vem de Stan Lee, um Spike Lee, mei Bruce Lee / Tô levando Brasil estilo Mauricio Kubrusly / Tipo Solange, um lugar na mesa / Negra ou morena? Na dúvida, chame-a de princesa”, entoaram.
 
O estudante de 21 anos, Gustavo da Silva Monteiro, lembrou que para uma criança branca é fácil se espelhar em heróis como o Capitão América ou o Homem de Ferro. “Mas, para as crianças negras, é difícil encontrar super-herois que estejam no mesmo nível. Isso é igualdade. Heróis ou não, somos todos iguais. Este filme vem para quebrar muitos tabus.”
 
Vindo de Limeira, um grupo de 25 pessoas se uniu aos amigos de Piracicaba. “Nós íamos fazer este mesmo ato por lá, mas ao ver a grande mobilização pelo Facebook, decidimos nos somar. Estamos aqui na luta por paz, contra o racismo e pelo bem comum”, disse o comerciante Anderson Pereira.
 
Ao acompanhar o ato nesta quinta-feira, o Jornal de Piracicaba produziu transmissão ao vivo, em sua página no Facebook.