Juntos, somos fortes

Sabe aquele ditado popular que diz que a união faz a força? Os moradores do bairro Nova Piracicaba descobriram a importância desse engajamento para tentar solucionar os problemas do bairro. Não ficaram em casa assistindo televisão enquanto a prefeitura empurrava goela abaixo o projeto de lei que transformava duas quadras na avenida Cruzeiro do Sul em área comercial. Por sinal, o projeto foi aprovado, entrou em vigor e, agora, o proprietário de um restaurante da localidade pode obter alvará de funcionamento do estabelecimento, que funciona há mais de dez anos no local.
 
Os moradores se uniram para defender esse que é um dos bairros mais bonitos da cidade, por causa das árvores entrelaçadas na entrada e da exuberância da natureza. Os moradores têm uma convivência pacífica com os animais silvestres que circulam pela margem do rio e que, de vez em quando, buscam alimentos nas residências. Os habitantes da localidade disseram à reportagem que estão habituados com os saguis e outras espécies. Imagine estar em casa e se deparar com a ave urutau na árvore de sua residência ou com um tucano? Não é cena de filme? É o que presenciam cotidianamente.
 
O progresso é necessário, sim, é. O que os habitantes não querem é o progresso a qualquer preço. Como não querem desconfigurar o bairro, os moradores prometem lutar com unhas e dentes para ter o direito à paz e ao sossego. Por enquanto, vão aguardar os desdobramentos do inquérito civil instaurado há três anos pelo Ministério Público para apurar a liberação do comércio na avenida, que fica bem ao lado das margens do rio Piracicaba.
 
A pergunta que os moradores se fazem é quais os interesses que estão por trás da transformação da avenida em área comercial. Residentes no bairro disseram que há muitos interesses econômicos envolvidos, porque ocorreram várias tentativas de liberar o comércio na via. Uma delas ocorreu na gestão anterior do prefeito Gabriel Ferrato (PSB), mas este retrocedeu após ouvir os moradores e após a abertura de inquérito pelo Ministério Público.
 
A lei já está em vigor. Mas os moradores ainda tentarão reverter seus efeitos. A entidade está com a corda toda para lutar por seus direitos. Os moradores de outros bairros deveriam fazer o mesmo. Nos últimos tempos, as pessoas têm ficado cada vez mais fechadas em suas residências. Muitos pensam no próprio umbigo. Lutar pelo coletivo é uma atitude nobre. Juntos, somos fortes. Esta é uma lição de cidadania. Nesse processo, todos ganham. (Claudete Campos)