Jurídico pede investigação de Dirceu em Comissão de Ética

investigação Dirceu é acusado de assédio e de reter parte do salário. (Foto: Arquivo/JP)

O Departamento de Assuntos Jurídicos da Câmara de Vereadores emitiu parecer ontem recomendando que a Comissão de Ética e Decoro Parlamentar investigue as denúncias feitas pela ex-assessora de relações públicas e cerimonial da Casa contra o vereador Dirceu Alves da Silva (SD) e também a denúncia de coação apresentada por Dirceu contra a ex-assessora. A Mesa Diretora da Câmara irá se reunir hoje para decidir se acata o parecer do jurídico. A partir do momento em que a Comissão de Ética e Decoro Parlamentar iniciar os trabalhos, terá 30 dias para concluir os trabalhos, que poderão decidir pelo arquivamento ou por penalidades que vão desde a advertência até a perda de mandato.

Uma ex-assessora de relações públicas da Câmara denunciou ontem o vereador. Ela diz que foi assediada pelo parlamentar e que teve que dividir com ele o salário recebido na Casa de Leis. Dirceu teria sido o responsável por indicá-la para ser nomeada ao cargo em junho e também teria pedido o seu afastamento em agosto. Ela entregou à presidência da Câmara uma carta relatando os fotos e um áudio que comprovaria a divisão do salário.

O salário de T. S. S. era de aproximadamente R$ 3,6 mil, que, com os descontos, cairia para aproximadamente R$ 3 mil. Ela denuncia ter combinado de dividir o salário com o vereador para conseguir a nomeação. Na denúncia, ela informa que, no segundo mês de serviço, teria considerado injusto trabalhar “direto durante o dia e às vezes à noite e ter que repartir o salário”, por isso descumpriu o acordo, o que a fez ser dispensada. T.S.S. relata também ter sido assediada sexualmente pelo vereador.

Dirceu disse à reportagem do Jornal de Piracicaba ter entregado ofício à presidência da Câmara no último dia 13 de setembro, denunciando suposta coação da ex-assessora. Como o presidente da Câmara decretou confidencialidade à documentação, Dirceu preferiu não detalhar o teor da suposta coação. Durante a conversa, o vereador revelou descontentamento em relação à postura de Erler, por uma suposta demora para apurar o caso e por emitir nota divulgando o caso à imprensa.

Dirceu alegou não ter tido qualquer relação hierárquica com T.S.S.. “Nem no meu gabinete ela trabalhava. Não tem nada a ver comigo. Onde ela trabalhava, a exclusividade para nomear e exonerar era do presidente”, falou o vereador. O JP apurou que entre os documentos sob o poder do Departamento de Assuntos Jurídicos há um ofício do diretor do Departamento de Cerimonial da Câmara, Luciano Júnior, por meio do qual informa ter recebido de Dirceu o pedido para exonerar T.S.S.

(Rodrigo Guadagnim )