Justiça condena quatro membros do PCC

O Tribunal do Júri de Piracicaba condenou esta semana, em dois processos diferentes, quatro integrantes da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital). Eles eram acusados pela morte de um jovem, durante um “tribunal do crime”, e pela tentativa de assassinato de um cabo da PM (Polícia Militar). Somadas, as penas passam de 74 anos de prisão. 
 
O primeiro julgamento começou na terça-feira e foi concluído na madrugada do dia seguinte. Três membros da facção foram considerados culpados pelo homicídio de Luis Matheus de Freire Oliveira, ocorrido em fevereiro de 2015 em uma chácara no bairro Estância Água Bonita. Segundo a denúncia, o crime foi motivado por ciúmes.
 
Um membro do PCC teria “acusado” a vítima de se envolver com uma ex-namorada dele. Ele e outros 10 integrantes da organização criminosa teriam organizado um “julgamento” em que ele foi condenado a morte. Ele foi espancado e depois envolvido em fita adesiva, que causou a morte por asfixia. Um homem, que assumiu a autoria do crime, já havia sido condenado a quase 22 anos de prisão nesse caso. 
 
“A estratégia do PCC nesses casos é clara. Um indivíduo assume o crime para tentar inocentar os outros e reduzir os danos. Os jurados, no entanto, acolheram a nossa tese de que todos participaram do evento em que ele foi morto e, portanto, do homicídio”, afirmou o promotor Aluísio Antonio Maciel Neto, responsável pela ação penal.
 
Um dos suspeitos, considerado reincidente, foi condenado a 21 anos e 11 meses de prisão. Os outros dois pegaram uma pena de 18 anos e três meses. Os advogados deles não quiseram comentar a sentença. 
 
No segundo julgamento, realizado na quinta-feira, um quarto integrante da facção recebeu uma pena de 16 anos de prisão por tentar matar, a tiros, um policial militar em agosto de 2014. 
 
Segundo a acusação, o crime ocorreu em uma represália do PCC pela morte de dois integrantes da organização criminosa na mesma época. Segundo o Ministério Público, o membro condenado e outras 10 pessoas também estão envolvidos na morte do Arnaldo Francisco de Brito. 
 
O cabo da PM, de 34 anos, foi baleado na cabeça em agosto de 2014. O crime ocorreu na porta de um supermercado no Jaraguá. Segundo a sentença, apesar de ter sobrevivido ao ataque, ele sofreu graves sequelas neurológicas. Já o sargento Brito foi atingido por 13 tiros em frente a uma lanchonete no bairro Alto.