Kleber Antonio Torquato Altale: 40 anos dedicados à Polícia Civil

O delegado Kleber Antonio Torquato Altale adotou Piracicaba como sua cidade do coração há 42 anos. Chegou ao município em 1977 para cursar Engenharia Florestal na Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), mas sua vida mudou radicalmente de direção. Após passar no concurso para investigador de polícia, teve a certeza que sua vocação era mesmo para a área de Direito. Após concluir a graduação pela Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba) prestou seu segundo concurso para delegado da Polícia Civil e assumiu sua primeira delegacia em Santa Gertrudes.

Durante esse período passou parte de sua carreira em outros depa rta mentos em Campinas e até final de 2018 foi diretor da DGPAD (Delegacia Geral de Polícia Adjunta, mas em janeiro deste ano, Altale retornou à direção do Deinter-9 (Departamento de Polícia Judiciária do Interior) de Piracicaba, que engloba 51 municípios, divididos em seis delegacias seccionais. O diretor deve dar continuidade nos trabalhos que já estão sendo realizados com a Polícia Militar, Guarda Civil e demais órgãos da Prefeitura.

Entre as suas prioridades em sua gestão no Deinter-9, Kleber deve otimizar o trabalho realizado contra a violência da mulher que já é praticado na cidade pela DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), pois considera que a mulher precisa ter um atendimento diferenciado nas questões envolvendo a violência no âmbito familiar.

Casado e pai de dois filhos, é para os braços da família que retorna após seus dias de trabalho. Em seus momentos de lazer, gosta de ficar em seu sítio na região, onde tem algumas cabeças de gado e cuida de seus pés de café. Confira a entrevista.

Como escolheu Piracicaba para morar?

Cheguei em Piracicaba em 1977 para cursar Engenharia Florestal na Esalq. Durante o curso decidi fazer o concurso para investigador de Polícia, que foi meu primeiro cargo na polícia, onde fiquei por nove anos. Como me identifiquei muito com a atividade policial acabei mudando de área e decidi cursar Direito. Depois disso, o concurso para delegado de polícia foi o passo seguinte. Fui aprovado e desde 1986, até hoje, atuo na profissão.

Qual foi o seu primeiro emprego como delegado?

Assim que aprovado no concurso, em 1986, atuei em Santa Gertrudes, depois, em 1989, retornei para Piracicaba e fui titular do 5º Distrito Policial, no Santa Teresinha. Em 1991 fui para São Paulo, trabalhar no Departamento de Administração da Delegacia Geral. Nesse mesmo ano fui para a Assistência da Delegacia Geral. Depois, em 1993, para a Assessoria da Secretaria de Segurança Pública, onde permaneci até 1995, mesmo ano em que fui para a Secretaria de Governo, em que atuei até 1998. Nos anos de 1999 e 2000 também atuei na assistência da Polícia Civil na CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito do Narcotráfico), ação que teve repercussão nacional. Entre 2003 e 2006 fui chefe de Gabinete da Primeira-dama (do Estado). Depois desse período retornei para Piracicaba para instalar o Deinter-9, sendo o primeiro diretor do novo Departamento.

Qual a sua análise de Piracicaba nessa época?

Piracicaba sempre foi uma cidade muito boa e fica em uma região privilegiada. Sabemos que temos problemas de todas as naturezas, mas é uma região de gente muito boa, próspera. É uma região grande e complexa e merece a nossa permanente atenção.

Como foi a implantação do Deinter-9 na cidade?

Naquela época já tínhamos uma certa carência de recursos humanos, e por isso nos valemos da estrutura que já existia na Delegacia Seccional. No início, o quadro de servidores era bastante enxuto, mas os profissionais eram muito eficientes. Instalamos o departamento no prédio, que fica na rua Tiradentes, onde atualmente funciona a DIG (Delegacia de Investigações Gerais) e DISE (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes). Graças ao planejamento e aos esforços de todos, desde o início o departamento funcionou muito bem.

Quais regiões já atuou?

Após a implantação do Deinter-9, assumi no ano seguinte, o Departamento em Campinas, também conhecido como Deinter 2. Em 2009 retornei ao Deinter-9 e depois para a Academia de Polícia em São Paulo, onde tive a possibilidade e o privilégio de realizar inúmeros cursos de capacitação para os policiais civis. Posteriormente fiquei por mais três anos na 1ª Delegacia Seccional/Centro, na Capital. Novamente retornei ao Deinter-2, em Campinas, onde fiquei por 4 anos, em meio a vários desafios e conquistas. Em meados do ano recebi o convite, do então Delegado Geral, Dr. Paulo Bicudo, para ser Delegado-Geral de Polícia Adjunto. Finda a missão na Administração Central, retornei para Piracicaba no início do ano, renovado e com muita disposição.

Quais serão as prioridades da sua gestão?

Entendo que uma das principais prioridades é ser exemplo para dar exemplo. Trabalhar com seriedade, com vontade e dedicação. Estimular e valorizar o policial de modo a que ele possa melhor servir a população. Ficar atento à criminalidade e suas variações, mas graças a Deus estamos passando por um bom momento. Não temos crises aqui. Os crimes que estão ocorrendo estão recebendo uma pronta resposta da Polícia Civil, mesmo diante da nossa carência de recursos humanos. O importante é fazer com que a polícia civil foque na investigação, na inteligência, e se antecipe ao crime e ao criminoso.

Considera importante a interação com outras forças de segurança?

Sem dúvida, as atuações com a Polícia Militar, Guarda Civil e outros segmentos da Prefeitura são importantes para otimizar os nossos recursos. Assim como as atuações da Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes) que continuarão a ser realizadas com o apoio do Canil da Polícia Militar, como temos feito e conseguimos excelentes resultados.

Qual a sua análise sobre os casos envolvendo a violência contra a mulher que são registrados na região de Piracicaba?

Considero que não houve um aumento dos casos de violência, mas sim as denúncias que passaram a ser realizadas com maior intensidade. Devido às ações de conscientização que estão sendo realizadas, as mulheres têm procurado mais o auxílio da polícia contra o seu agressor. Está entre as nossas prioridades fazer um investimento e melhorar o atendimento que já está sendo realizado na região. Vamos dar uma atenção diferenciada nas questões envolvendo os casos de violência doméstica.

Qual a sua mensagem para os jovens que pretendem ingressar na Polícia Civil?

É uma instituição séria e honrada. Que traz inúmeras possibilidades de aprendizado e especialização. Que permite uma vida digna e honrada. Mas é bom frisar que quem quiser ing ressa r na carreira, tem que estar disposto a servir. Nós temos a missão de servir não só à Instituição Polícia Civil, mas especialmente servir a nossa comunidade. Que entrem com interesse em aprender e vontade de servir.

Fora da polícia, quais são seus hábitos?

Mesmo durante meu tempo de folga descansar é algo que faço muito pouco. Quando não estou trabalhando, gosto muito de me dedicar à área agrícola e pecuária. É como se fosse meu hobby. Tenho um pouquinho de café e gado. Acho importante esse contato com a terra e com os animais. Como moro em apartamento, não tenho condições de ter um animal em casa, mas já tive um cachorro. Atualmente temos apenas nossas plantas.

Gosta de assistir um filme ou ler um livro?

Atualmente estou preferindo assistir algum filme. Gosto muito de livro, mas não tenho tido tranquilidade suficiente para me dedicar à leitura. Mas confesso que gosto de folhear uma revista, principalmente quando o assunto é viagem, pecuária ou agricultura. Gosto de viajar, conhecer novos lugares e culturas, mas tenho feito muito pouco. É preciso ter um pouco de lazer, senão a vida fica muito pesada. Sem contar que é uma excelente oportunidade de ficar mais próximo da família, conseguir reunir os filhos, mesmo que eles estejam trabalhando cada um em um lugar, mas nesses momentos de viagem temos a felicidade de estarmos juntos.

Qual a importância da família?

A família é nosso porto seguro. Quando filho queremos ficar próximo de nossos pais e quando pais fazemos o possível para ficar perto de nossos filhos. Meus pais deram-me as principais referências que eu poderia ter. Sempre foram muito honestos e trabalhadores. Meu pai era funileiro, tinha uma pequena oficina e minha mãe era costureira. Meu pai faleceu há 12 anos e minha mãe, não trabalha mais e mora na região de Araçatuba.

Cristiani Azanha

Foto: Amanda Vieira/JP