Lei garante escolha pelo tipo de parto

No dia 4 de janeiro de 2016 a vida da auxiliar de cozinha, Marilda Pereira Rocha, hoje com 34 anos, deu uma guinada. A alegria de ser mãe pela segunda vez, após mais de dez anos, se transformou em pesadelo e deixou sequelas físicas e psicológicas com as quais ela ainda luta para ‘se reencontrar’.

Com 34 semanas de gestação, ela foi levada a um hospital da cidade com contrações. Ao ser examinada ela contou aos médicos que o bebê estava para nascer e pediu para que o parto
fosse feito por cesariana.

Apesar dos apelos da mãe, os médicos ignoraram e informaram que o bebê ainda não estava pronto para o parto. A mulher ficou sozinha no quarto. Por volta das 5h, a bolsa rompeu e ela teve a criança, sem nenhum acompanhamento. “Era eu e a criança naquela maca, só nós duas”, contou. Quando o socorro chegou, a criança foi levada para a UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e a mãe foi submetida a cirurgias de reconstrução vaginal e laqueadura.

Passados três anos, Marilda contabiliza os prejuízos que poderiam ser evitados com uma atenção maior dos médicos que a atenderam e pela realização de um procedimento corriqueiro nas maternidades – a cesariana.

Como paciente do SUS (Sistema Único de Saúde), Marilda, assim como milhares de brasileiras, não puderam opinar quanto a forma como gostariam de dar à luz. “Eu não era uma mãe de primeira viagem eu já tinha uma filha, conhecia o meu corpo e sabia que havia algo errado”, lembrou emocionada.

Hoje, após o casamento desfeito, ela aguarda para realizar uma segunda reconstrução vaginal, porém, a maior preocupação é com o pequeno Alifer que, aos três anos de idade, ainda não fala. Para ela, o problema é fruto do estresse sofrido durante o parto.

LEI EM GESTAÇÃO
A Câmara de Vereadores de Piracicaba protocolou – há uma semana – projeto de lei de autoria do vereador Paulo Campos (PSD), que dá à gestante o direito de optar – a partir da 39ª semana de gestação , pelo parto cesariana bem como a analgesia, mesmo quando escolhido o parto normal .

De acordo com o autor, a lei tem o objetivo de dar dignidade e autonomia às mães.

“As mães que têm convênios particulares têm o direito de escolher entre a forma do parto, o SUS também é um convênio, logo, as mulheres conveniadas a ele também teriam esse direito”,
observou o parlamentar. Campos disse que tomou conhecimento do sofrimento enfrentado por Marilda refletiu sobre a aparesentação do projeto. “Com essa lei muitas mulheres ão passarão pelo que eu e meu filho passamos”, afirmou Marilda.

Beto Silva