Livro traz recortes historiográficos inéditos sobre o cinema brasileiro

livro ‘Nova história do cinema brasileiro’ foi organizada por Fernão Pessoa Ramos e Sheila Schvarzsman. ( Foto: Antonio Scarpinetti)

Os números são superlativos: quase 20 anos de maturação, 27 autores e 1.228 páginas, distribuídas em dois volumes. Mas é o ineditismo das pesquisas, das abordagens e da metodologia, sobretudo no campo historiográfico, que coloca Nova história do cinema brasileiro (Edições Sesc), livro organizado por Fernão Pessoa Ramos e Sheila Schvarzsman, no patamar das obras de referência ­ talvez, a maior ­ sobre o tema no país.

Fernão Pessoa Ramos, professor do Instituto de Artes (IA) da Unicamp, evita fazer comparações com obras predecessoras, mas indagado sobre as contribuições do livro na esfera acadêmica, ressalta a opção por uma metodologia que privilegia “o diálogo com o seu tempo”, deixando de lado “o excesso de divagação conceitual”.

“A coletânea se constitui na certeza de que é possível trabalhar com o tema contornando a hipertrofia metodológica que há em recortes recentes. Nossa opção foi partir de um campo já estabelecido de estudos sobre cinema brasileiro, acreditando na fecundidade de um eixo básico cronológico sem nos deter, obrigatoriamente, em fases, estágios, movimentos, ciclos ou recortes autorais referendados”, assinalam os organizadores logo na abertura da introdução do livro. “A intenção foi a de frisar o interesse em escrever e pensar o cinema feito no Brasil explorando sua singularidade e as múltiplas teias que dela se lançam”.

As teias mencionadas por Fernão Ramos e Sheila Schvarzsman, conforme demonstram as nuances e o conjunto da coletânea, levam em conta todo o percurso ­ invariavelmente, acidentado ­ do cinema no país, sem deixar de expor particularidades e angulações até então ignoradas, preservando o recorte cronológico e fugindo das limitações da “versão-padrão” decorrente da falta de pesquisa primária, como lembra Ramos ao mencionar as novas bases lançadas pelo teórico e historiador do cinema David Bordwell https://bit.ly/1BJSGxI, autor de Sobre a história do estilo cinematográfico (Editora da Unicamp).

Para ficar em alguns exemplos, são contemplados não apenas períodos e movimentos seminais ou consagrados, mas da mesma forma produções e personagens relegadas até então ao ostracismo ou ao rodapé. Paralelamente, lembra Fernão Ramos, com base em “novos padrões de pesquisa e metodologia rigorosa”, há interação com mídias sociais e a internet. “A figura do pesquisador de cinema brasileiro de perfil exclusivamente crítico, fiando-se na memória e em bancos de dados particulares, acumulados durante a vida, ficou para trás”, diagnostica o docente.
Nesse contexto, Fernão Ramos e Sheila Schvarzsman reforçam que “não ficaram de fora os estudos de práticas sociais especificamente cinematográficas, como a exibição e suas formas, assim como a relação com o espectador. Da mesma maneira, procurou-se incluir protagonistas que não tiveram o devido relevo na historiografia: a participação das mulheres no cinema brasileiro, a presença de gênero em sua diversidade e os cineastas e atores negros e indígenas”.

( Da Redação. Com informações da Unicamp)