Mãe de adolescente negra acusa escola de racismo

Além de professor não atender a jovem, uma funcionária ainda a acusou de furto dentro da sala de aula. (Foto: Claudinho Coradini/JP)

A cuidadora social Ana Cleide Matias dos Santos acusa uma escola técnica de Piracicaba de racismo contra sua filha, uma adolescente negra, de 14 anos. Segundo a mãe, a garota faz um curso de design de sobrancelhas na instituição.

Nesta semana, a adolescente contou à mãe que a professora a trata com indiferença e quando ela pede para que a profissional a auxilie, nunca é atendida. “A minha filha chama a professora para tirar dúvida e ela fala, só um minuto, ou espera um pouco e nunca vai até minha filha”, contou.

Na terça-feira (29), a mãe e outra filha, de 17 anos, foram até a escola para conversar com a direção sobre a queixa da filha. Neste dia, a garota precisou comprar material para usar na aula e foi até uma loja dentro da escola onde o material é vendido.

A estudante não comprou o material e retornou à sala. Minutos depois a vendedora da loja interrompeu a aula e pediu para que a adolescente devolvesse os cílios que ela teria pegado escondido. “Minha filha ficou totalmente paralisada, sem saber o que fazer porque foi acusada diante de toda a classe”, contou Ana Cleide.

Mesmo a garota negando o furto, a vendedora disse que iria ver as câmeras de segurança. Ela contou para a mãe e a irmã e foram até o Plantão Policial com a intenção de registrar um boletim de ocorrência por calúnia e difamação.

Na delegacia de polícia, no entanto, a família sofreu outro trauma. O policial que atendeu mãe e filhas teria se negado a registrar a queixa. Segundo a mãe, ele disse que conhece a vendedora e até se referiu a ela pelo nome. “Ele me perguntou sobre o que eu pretendia com essa queixa, disse que a amiga passa por problemas pessoais e que é uma pessoa boa e não registrou a queixa”, contou a mãe.

Ontem, a mãe e as duas filhas adolescentes se reuniram com o delegado seccional, Américo Rissato, e expuseram a situação.

Rissato confirmou que atendeu a família e que determinou o registro da ocorrência na DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) e exigiu rapidez no processo.

Quanto ao atendimento na unidade policial, o delegado disse que vai ouvir o policial sobre o procedimento. “O policial ponderou com ela, contudo, não era a função dele. Vamos ouvi-lo a respeito”, afirmou.

O advogado Renato de Assis, que representa a escola, disse que a direção nunca recebeu reclamações sobre a professora. Quanto a acusação da vendedora, ele disse que haverá uma apuração interna.

Beto Silva
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