Mães criticam falta de merenda especial para alunos com restrições alimentares na rede municipal de Piracicaba

Kênia, mãe de um menino de 2 anos, compra os alimentos e envia à creche (Crédito: Claudinho Coradini/JP)

Desde 2014, a Lei n.º 12.982 garante merenda especial aos alunos com NAE (Necessidades Alimentares Especiais), que devem receber um cardápio conforme recomendações médicas e nutricionais. Embora a Secretaria Municipal de Educação afirme que 232 crianças da rede recebem alimentação especial, a doméstica Kênia Rodrigues de Jesus, 24, mãe de um menino de 2 anos, diz que nem sempre isso acontece. “Meu filho tem alergia à proteína do leite e à fruta melão. Ele fica das 7 às 16 horas na creche e descobri que apenas estavam dando o almoço, sendo que nos lanches da manhã e da tarde, davam apenas uma fruta para ele. Está havendo pouco caso com a doença dele”, reclama.

O menino está matriculado na Escola Municipal Infantil Professora Flávia Pires Dario, no bairro Bosques do Lenheiro, e nesta semana, por ter tido crise alimentar, não foi à creche. De acordo com a mãe, embora a diretoria da unidade tenha sido informada sobre as restrições alimentares, não houve elaboração nem fornecimento de cardápio especial para o garoto. “Eu tenho que levar o leite de soja, que pago R$ 70 a lata para um mês, a bolacha especial, que custa R$ 6 o pacote para uma semana. Sou baixa renda, não tenho como manter esse gasto. E não sei se o macarrão que oferecem para ele é sem leite. Deram melão para ele! Na primeira semana de 2019, ele teve crise”, lamenta Kênia.

Ao comer alimentos que possui alergia, o menino tem reações como coceira, vermelhidão, diarreias, dores abdominais. “Ele pode ficar mal, ter crise respiratória ou a glote fechada. Não quero esperar isso acontecer”, enfatiza.

Segundo a bióloga Heloize Milano, 35, mãe de uma menina de 5 anos e de um menino de 3 anos que estudam, respectivamente, nas escolas municipais Joaquim Carlos e Antonietta Rosalina Losso Pedroso, na Vila Monteiro, ela também tem que levar a alimentação especial dos filhos, alérgicos à proteína do leite, glúten, ovos. “Em 2018, fizemos a Semana de Conscientização e levantamos que o município tinha no ensino infantil 450 crianças com necessidades alimentares especiais. Em 2019, temos 560 crianças”, afirma.

A Divisão de Alimentação Escolar da Secretaria Municipal de Educação diz que já foram elaborados pregões para a compra de pão sem glúten, lactose e ovo, além de biscoito, arroz, alimento a base de soja e fórmula infantil em pó extensamente hidrolisada. Segundo a assessoria, o processo está em fase de organização dos espaços para armazenamento adequado dos produtos. Nos pregões, para os alimentos biscoito sem glúten e sem lactose, macarrão sem glúten, leite em pó zero lactose, fórmula extensamente hidrolisada, creme vegetal e iogurte sem lactose, não tiveram interessados. Diante disso, a Prefeitura é obrigada a abrir uma nova licitação para aquisição dos alimentos que ainda estão em falta.

De acordo com a assessoria, a Secretaria Municipal de Educação tem orientando os pais a adquirir os alimentos e levar para a escola para a devida manipulação por merendeira selecionada para essa finalidade. “Além dos alimentos, que dependem de refrigeração e armazenamento especiais, utensílios e até fogões são adquiridos e reservados para o atendimento dessa demanda, assim como utensílios e merendeiras exclusivas para evitar contaminação cruzada”.

(Eliana Teixeira)