Mães reclamam que não obtêm vagas integrais em creches

A novela das vagas em creches de período integral de Piracicaba parece não terminar. Mesmo com determinação judicial para atender as mães que necessitam de uma vaga, a Secretaria Municipal da Educação ainda tem deixado crianças sem a vaga integral. Nesta semana, um grupo de mães procurou o JP para reclamar sobre as dificuldades em conseguir uma vaga e da falta de informação do poder público sobre estas demandas. A pasta nega problemas.
 
A repositora Jamile Fernanda Sampaio, 25 anos, mãe do pequeno Yuri, de 1 ano e 3 meses, pediu uma vaga integral em outubro do ano passado, porém recebeu a de meio período no Jardim Alvorada. “Fica difícil trabalhar. Dependo da minha irmã e amigos para ficar com meu filho no período em que não está na creche. Trabalho o dia todo e já precisei sair algumas vezes para ficar com ele em casa por não ter quem olhasse ele. No meu trabalho isso já está começando a me prejudicar”, afirmou Jamile. 
 
O caso da operadora de produção Camila Nataly Silva Lopes, de 24 anos, mãe de Brenno, de 1 ano, é mais complicado. “Eu trabalho das 7h30 às 17h30, não tenho como ficar com apenas uma vaga parcial. Esses dias mesmo a prefeitura me deu um papel para uma vaga em creche, mas não aqui no Alvorada, mas lá no Parque Prezotto, há mais de 8km de distância. Fica impossível assim”, completou. “Meu marido perdeu o emprego por causa da creche e já teve que recusar outras duas propostas por não termos com quem deixar o menino. Sem a vaga integral, não sei como vamos pagar todas as contas da casa. Só com meu salário não dá”, desabafou Camila.
 
Em nota, a SME disse que a reclamação “não procede” e que “atende plenamente a determinação judicial proferida pelo juiz de Direito da Vara da Infância e Juventude, doutor Rogério de Toledo Pierri”. Segundo a pasta, os responsáveis pelas crianças afetadas pela decisão, que estavam matriculadas em tempo integral em 2017 e foram classificadas para tempo parcial para 2018 pelos critérios da SME, “deveriam ter entrado em contato com as escolas de origem, pois as (os) diretoras (es) indicavam o local para a nova matrícula em tempo integral nas escolas da rede municipal, nos termos da decisão judicial acima referida (o que inclui casos de mães que não entregaram declaração de trabalho)”.
 
Sobre aqueles que se inscreveram em outubro de 2017 e que ainda permanecem na lista de espera, a SME informou que “após o assentamento da Rede, apurando as matrículas pós decisão judicial ocorrida no mês de fevereiro, as eventuais vagas remanescentes estão sendo disponibilizadas para matrícula seguindo os critérios da pasta”.