Malinois Aruk se aposenta após 8 anos dedicados à Polícia Militar

O pastor belga de malinois Aruk, de 8 anos, está participando de suas últimos trabalhos junto com seu condutor, o cabo da Polícia Militar Youssef Tannous Tanche Junior. Parceiros em muitas situações de localização de armas, entorpecentes enterrados em mata fechada, prisões de envolvidos em crimes e apresentações para escolas ou entidades, em março, essa cumplicidade irá chegar ao fim. Pelo menos durante as ocorrências policiais, pois Aruk irá desfrutar de sua “aposentadoria” da corporação ao lado de seu grande companheiro, adestrador e por que não, amigo? Aruk irá para a casa do cabo Youssef. Quem está sendo preparada para assumir a função é a filhote Hanna, filha de Aruk.
 
Considerado como o cão mais completo do Canil Setorial do 10º BPMI (Batalhão de Polícia Militar do Interior), seu temperamento equilibrado permitiu que fosse preparado para atender quaisquer situações. Segundo o comandante da Companhia de Força Tática e Canil, capitão Antonio Carlos Rugero Filho, nenhum outro exemplar de malinois, entre os demais 14 cães da corporação piracicabana, está tão pronto como o Aruk.
 
“Dificilmente o mesmo cão pode ser usado no policiamento, nas ações sociais e até no faro, pois há alguns que têm dificuldade em separar, por exemplo, o odor do entorpecente e do explosivo. Geralmente, ele é utilizado em uma função ou em outra. No entanto, o Aruk pode atuar em quaisquer ocorrências, pois ao mesmo tempo em que obedece o comando para o ataque, aceita muito bem a socialização com as crianças, quando é orientado pelo seu condutor”, completou o comandante.
 
Segundo ele, por coincidência ou genética, a filhote Hanna, de apenas um ano e oito meses, aparentemente é a que mais se assemelha ao temperamento do pai, mas ainda terá um tempinho a mais no adestramento para assumir a nova “missão”. “O adestramento depende do comportamento do cão e, por isso, o tempo de preparação pode ser maior ou menor. A média é que sejam necessários de dois a três anos de treinamento intensivo”, completou Rugero.
 
 
PARCERIA — A parceria entre Aruk e cabo Youssef começou em novembro de 2011 e, de lá pra cá, eles não se separaram mais. Até durante as férias, o cabo dá uma passadinha para olhar seu companheiro. “Foram muitos anos de dedicação, não me vejo longe dele. Até durante as ocorrências, sempre falo aos meus companheiros que cuidam da minha segurança, pois certamente irei atrás do meu cão, também tenho a função de protegê-lo. Não posso dizer que para mim ele é apenas um animal, pois não tenho dúvidas de que ele é meu amigo”, comentou Youssef.
 
O condutor do malinois mais famoso do Canil ainda não está preparado para assumiu outra parceria com outro cachorro. “Não será fácil entrar na viatura e saber que o Aruk não estará comigo, mesmo sabendo que ele vai me esperar em casa”, relatou o policial.
 
Durante os anos dedicados à PM, Aruk deu apoio para as ocorrências da Polícia Militar Rodoviária, Receita Federal e as polícias Civil e Militar. Youssef se recorda da localização de 4 quilos de droga, que estavam escondidas em uma mata fechada, na Vila Industrial, em dezembro de 2017. “Ele ficou focado para localizar o entorpecente. Ele andou uns três metros equilibrando-se pelas pedras para atravessar um pequeno córrego, até conseguir a localização da droga. Certamente, não teria a mesma condição de fazer essa apreensão sem ele”. Para o capitão Rugero, talvez a aposentadoria de Aruk não seja tão tranquila, pois eventualmente poderá continuar a fazer as apresentações sociais. “Ele ainda passará por uma avaliação de um oficial médico veterinário do Canil de São Paulo. Dependendo do resultado poderá ficar até um pouco mais”, completou Rugero.