Marketing humanista é tendência entre a novas gerações

Saber a real importância daquilo que se consome. Este é um dos princípios que permeia o marketing humanista e que tem ganhado espaço entre as novas gerações, principalmente, por meio do mundo digital. Descobrir as particularidades desta nova tendência do marketing foi tema do segundo pós-doutorado do professor Antonio Carlos Giuliani, defendido em janeiro na Universidade de Sevilha (Espanha).
 
Em visita à redação do JP, professor Giuliani que é coordenador da pós-graduação em Marketing do Centro Universitário Senac, de Piracicaba -, lembrou que o marketing humanista é algo novo e está mais presente em países desenvolvidos. Nestes locais, o consumidor digital está preocupado com o social e cobram ações das empresas para satisfazer a necessidade humana em três pontos: integridade, dignidade e bem-estar. “Na minha pesquisa, foram entrevistados 135 empresas e 57 indústrias de 23 países para saber se eles estavam alinhados com estes três pontos. Hoje o poder de consumo tem crescido junto às novas gerações e ela tem cobrado produtos que não degradem o meio ambiente e sejam mais sustentáveis”, disse o professor.
 
O marketing humanista surgiu com uma reconfiguração do composto de marketing tradicional e vai além da satisfação das necessidades e desejos dos consumidores para criação de valores sustentáveis. “No Brasil, apenas uma empresa de cosméticos se utiliza deste tipo de marketing. Ela fideliza seu público e ganha novos consumidores com suas campanhas inovadoras que não fazem divisão de gênero, prega sua responsabilidade social e mostra como seus produtos ajudam na preservação do meio ambiente”, completou.
 
 
DIFERENÇAS – Professor Giuliani explica que o marketing tradicional preocupa-se com processos para criar, comunicar e entregar valores em uma relação com o cliente com objetivo de lucratividade para seus acionistas e público, com origem nas escolas de marketing econômico. “Outras escolas se desenvolveram consideradas não econômicas pautadas na ciência comportamental como a psicologia e a sociologia denominadas não econômicas interativas. É nesta escola que o marketing social e humanista vem se desenvolvendo pautado na criação, comunicação e entrega de valor, com finalidade de gerar resultados atendendo as mudanças comportamentais da nova geração, hoje mais preocupada com bem-estar social que a geração anterior, mais consumista”, esclareceu Giuliani.
 
“O marketing humanista vai se intensificar a partir do momento em que os consumidores digitais, ou da nova geração, ditarem as regras de consumo. Uma tendencia que já começou a acontecer”, informou o professor.